quinta-feira, 05 nov. 2026

José Paulo do Carmo

A batalha da habitação e as bandeiras da Palestina

A primeira regra de uma mensagem é que ela não aguenta duas causas ao mesmo tempo. Quem defende tudo não defende nada. Quando numa manifestação sobre casas aparecem bandeiras de um conflito a quatro mil quilómetros, não se somaram duas causas. Dividiu-se uma. Não estou a discutir o mérito da causa palestiniana. Estou a dizer que ela não cabe nesta.

Estamos a perder as referências da noite

Já foi tempo em que ser dj, barmaid ou relações públicas era sinónimo de status social.

As discotecas que viraram maratonas

A noite oferecia encontros aleatórios. O clube de corrida oferece repetição, que é aquilo de que qualquer amizade adulta precisa para sobreviver.

Para que serve a RTP África?

Um canal que não acompanha a democracia dos países que diz servir não é serviço público. É nostalgia subsidiada.

Porque é que a galinha atravessou a estrada

Não é preciso ter filhos adolescentes ou andar pelo TikTok para o ver. Eu próprio sou invadido no Instagram por posts a promover um jogo que supostamente vai mudar a nossa vida. Uma galinha em desenho animado atravessa uma estrada, cada passo multiplica o valor apostado, e o jogador decide quando parar antes de ser atropelada.

O protocolo do medo nas ruas de Lisboa   

Por muito que tentem camuflar, as estatísticas são claras: o crime violento aumentou

O regresso do "pé de gesso"

Quem cresceu em Portugal nos anos 80 e 90 sabe do que estou a falar. Meia branca era gozo garantido. Havia regras que ninguém escreveu e toda a gente sabia, aprendidas no recreio e no balneário. Meia branca só com ténis. Nunca com sapato. Nunca com calça escura. E, a partir de certa idade, era melhor não arriscar de todo.

A música está a andar para trás?

As sonoridades do antigamente estão cada vez mais presente nas novas músicas.

A fila mais comprida já não é a do bar

Trago da minha geração a ideia enraizada de que um bar meio vazio é sinal de um evento que correu mal, e foi preciso ver os números de perto, mais do que uma vez, para perceber que estava a ler o indicador errado.

A pista de dança virou plateia

A noite era, até há bem pouco tempo, o último território sem registo. O sítio onde se podia dançar mal, cantar pior, dizer disparates às quatro da manhã e sair dali com a certeza tranquila de que nada daquilo ficaria.

A nova publicidade em formato novela

Chamam-lhe minidrama, microdrama, micronovela. São histórias verticais, filmadas para o telemóvel, cortadas em episódios de um a dois minutos, cada um a terminar exatamente onde “dói”, numa tensão por resolver. O formato nasceu na China e instalou-se no Ocidente a uma velocidade que devia acender luzes vermelhas em qualquer direção de marketing.

Os clubes de networking privados

Nunca foi tão fácil enviar uma mensagem para o outro lado do mundo, marcar uma reunião por videoconferência ou acumular milhares de contactos nas redes sociais. No entanto, talvez nunca nos tenhamos sentido tão perdidos no meio de tanta gente. É por isso que os clubes privados estão de volta.