João Maurício Brás

De Trump a Magyar: A revolta e o futuro do conservadorismo

Somos o problema

O português típico é adaptativo: nem rebelde nem resignado, mas flexível no pior sentido. Aprende a navegar a burocracia, a contornar regras, a baixar expectativas. Não exige que o sistema melhore; pede apenas espaço para sobreviver dentro dele. A sua inteligência é prática, mas politicamente estéril.

O novo mundo não se pensa com ideias velhas

Entre o colapso do antigo e a consolidação do novo existe sempre um intervalo de indeterminação, no qual tudo depende da capacidade das sociedades de reconhecer os seus limites e de assumir responsabilidade pelas escolhas que fazem.

Quem decide o que pode ser pensado?

Não estamos perante uma simples disputa de opiniões, mas perante uma tentativa de monopólio moral do espaço público.

Género, ciência e proteção dos menores

Se a vida humana é importante, a de menores de idade ainda é mais. A legislação portuguesa proíbe jovens menores de votar, de fumar ou beber, de fazer tatuagens, de casar. Mas permitia que pudessem iniciar bloqueadores de puberdade e hormonas. Há aqui uma incoerência que vale a pena nomear.

Os tudólogos e a ditadura da opinião

Neste novo contexto, o valor central deixou de ser a notícia em si e passou a ser a interpretação da notícia. Já não interessa apenas o que aconteceu, que era tradicionalmente o núcleo da notícia, mas sobretudo o que significa aquilo que aconteceu. Esta passou a ser precisamente a função do tudólogo.

A democracia que trata o adversário como doente

No desenvolvimento recente das democracias ocidentais, um dos fenómenos mais relevantes é a tentativa de transformação da natureza da política. Aquilo que durante a modernidade foi entendido como um espaço de confronto entre visões rivais da sociedade assume hoje uma configuração diferente.

O Liberalismo chegou ao fim? O debate que divide a direita americana

A resposta emergente não é confessional nem autoritária. Implica, porém, abandonar a ilusão de neutralidade absoluta e reconhecer que o conflito político faz parte das sociedades democráticas e que o liberalismo poderá não constituir o horizonte final da organização política do Ocidente.

Foucault, o Irão e o limite do relativismo político

É um padrão recorrente. Sempre que Israel, independentemente do governo em funções, e os Estados Unidos, sobretudo quando governados por republicanos, se envolvem num conflito, setores significativos da esquerda ocidental respondem com crítica imediata e estrutural.

Portugal. Porque todos nos ultrapassam?

Os mais de 120 mil milhões de euros recebidos desde 1986 não se traduziram numa transformação da base económica, mas foram absorvidos por um aparelho administrativo com limitada capacidade de execução e reduzido efeito multiplicador.

Nem a direita é de direita

A especificidade portuguesa reside na dificuldade estrutural em reconhecer a direita enquanto tal como posição política normal.

Não é democrático o estado substituir os pais

Quando a proteção de pessoas se transforma num mecanismo estrutural de controlo, que nome devemos dar a essa transformação? Este é mais um passo grave na desfiguração da democracia no quadro regulatório da União Europeia e pelos governos que nela operam.