terça-feira, 03 nov. 2026

Telemóvel de Nuno Melo foi atacado por piratas informáticos. Há perguntas que o Governo ainda tem de responder

O ataque permitiu a terceiros enviar mensagens em nome do ministro da Defesa e desviar comunicações. Movimento cívico exige esclarecimentos sobre eventuais riscos para a segurança nacional e quer saber se os aliados da NATO foram informados.
Telemóvel de Nuno Melo foi atacado por piratas informáticos. Há perguntas que o Governo ainda tem de responder

O ataque informático ao telemóvel do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, está a levantar questões sobre a segurança das comunicações do Estado. A iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança (CpC) exige explicações ao Governo e defende uma auditoria independente aos dispositivos utilizados pelos gabinetes ministeriais.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, o movimento considera que "não está em causa a vida privada de um governante, mas a segurança das comunicações do Estado", pelo que o executivo deve prestar esclarecimentos "em nome da transparência e da confiança pública".

Telemóvel já não recebia atualizações de segurança

Nuno Melo revelou na segunda-feira que o seu telemóvel tinha sido alvo de um ataque informático que permitiu a terceiros utilizar o seu número, enviar mensagens em seu nome e "desviar comunicações".

Em declarações à agência Lusa, em Atenas, na Grécia, o ministro explicou ter sido informado de que o ataque terá explorado vulnerabilidades do aparelho, que já não permitia instalar atualizações de software.

É precisamente este um dos pontos que suscita dúvidas ao movimento cívico.

A CpC quer saber "se o dispositivo comprometido era pessoal ou fornecido pelo Estado, e por que razão um membro do Governo utilizava em funções um telemóvel que já não recebia atualizações de segurança".

O movimento sublinha que se trata do responsável pela Defesa Nacional de um país membro da NATO.

Informação sensível e aliados da NATO entre as preocupações

As dúvidas não se limitam às condições de segurança do equipamento.

A iniciativa pretende saber "se foi confirmado, por análise forense independente, que não houve acesso a informação classificada ou sensível".

Quer ainda esclarecer se o incidente foi comunicado ao Centro Nacional de Cibersegurança, ao Gabinete Nacional de Segurança e aos serviços de informações.

Outra das questões levantadas prende-se com a eventual comunicação do ataque aos parceiros internacionais, nomeadamente "se os aliados foram informados, como as regras da NATO e da União Europeia preveem para informação partilhada".

"Um ministro da Defesa não é um utilizador qualquer", alerta a CpC, acrescentando que "um aparelho comprometido expõe o país a riscos de várias ordens".

Movimento quer acabar com uso do WhatsApp para assuntos de Estado

Perante o sucedido, a iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança apresenta um conjunto de recomendações para reforçar a proteção das comunicações governamentais.

Entre as propostas está a utilização exclusiva de equipamentos fornecidos e geridos pelo Estado para todas as comunicações relacionadas com funções governativas.

O movimento defende que estes dispositivos tenham gestão centralizada, atualizações automáticas obrigatórias e antivírus, bem como a "substituição imediata de qualquer aparelho que deixe de receber suporte do fabricante".

Outra recomendação passa pelo abandono do WhatsApp e de aplicações de consumo semelhantes para tratar de assuntos de Estado, privilegiando "canais de comunicação seguros certificados pelo Gabinete Nacional de Segurança".

A CpC propõe também a utilização de modos de proteção reforçada nos telemóveis e formação obrigatória e periódica em segurança digital para "todos os membros do Governo, chefes de gabinete e assessores".

Além destas medidas, pede a realização urgente de "uma auditoria independente aos dispositivos e às práticas de comunicação de todos os gabinetes ministeriais".

"A cibersegurança dos decisores políticos não é uma questão técnica menor nem uma responsabilidade individual de cada ministro. É uma dimensão da defesa nacional. Exigir explicações claras, auditorias independentes e regras vinculativas não é alarmismo: é a forma de garantir que um descuido evitável não se torna, da próxima vez, uma crise de segurança nacional", conclui o movimento.