Relacionados
Uma viagem que tinha como destino as Bahamas terminou numa tragédia na Florida. Nove pessoas morreram no domingo, dia 1 de novembro, quando um jato privado caiu numa zona residencial do condado de Palm Beach, nos Estados Unidos. Entre as vítimas estavam quatro elementos da mesma família, incluindo duas crianças pequenas, e uma das pessoas que seguia na cabine de pilotagem era uma jovem copiloto de apenas 20 anos.
A aeronave, um Learjet 60 operado pela empresa Upper Jets, tinha descolado de Austin, no Texas, e dirigia-se a North Eleuthera, nas Bahamas. A bordo seguiam sete passageiros e dois tripulantes. Nenhum dos ocupantes sobreviveu.
A identificação das vítimas foi sendo divulgada pelas famílias, que entretanto partilharam mensagens de despedida e recordaram as vidas interrompidas pelo acidente. A investigação está a cargo das autoridades norte-americanas, que procuram determinar o que aconteceu nos momentos anteriores à queda.
Uma família inteira entre as vítimas
Entre os passageiros encontravam-se Adam Robinson, de 45 anos, a mulher, Helen Sharp, de 40, e os dois filhos do casal, Emma, de quatro anos, e Charlie, de dois. A morte foi cofirmada em comunicado pelo seu irmão Anthony Robinson.
A família seguia acompanhada por Anita Maria Cetina, que cuidava das crianças e era descrita pelos familiares como alguém muito próximo do agregado. Também viajavam Rachael Reed e Charmi Fehr, amigas da família.
"De coração partido, as nossas famílias partilham a notícia de que Adam Robinson e Helen Sharp, os seus filhos Emma e Charlie, Rachael Reed e Charmi Fehr, e Anita Maria Cetina estavam entre as vítimas do acidente de aviação que ocorreu perto de Greenacres, na Florida, no dia 1 de novembro.", começa por escrever no facebook.
Robinson era empresário na área tecnológica e fundador da Retention.com, uma empresa ligada ao marketing digital. Helen Sharp trabalhava no setor da comunicação e tinha também desenvolvido um projeto relacionado com cerâmica. Os dois filhos viajavam com os pais quando ocorreu o acidente.
A morte das nove pessoas deixou familiares e amigos em choque. Nas mensagens divulgadas após o acidente, os próximos de Adam e Helen recordaram a ligação do casal aos filhos e a importância que a família tinha nas suas vidas. Os familiares das vítimas pediram ainda privacidade para atravessar o período de luto.
A jovem copiloto que começou a voar aos 17 anos
A história de Nathalia Gadelha Filgueiras, uma das duas pessoas que integravam a tripulação, também tem sido destacada após a identificação dos ocupantes.
Com 20 anos, a jovem de origem brasileira trabalhava como copiloto para a Upper Jets, empresa sediada em Fort Lauderdale. O interesse pela aviação surgiu cedo e levou-a a iniciar formação na área em 2020, quando tinha 14 anos.
Nathalia conseguiu a licença de piloto privado aos 17 anos e, segundo os relatos publicados, acumulava mais de 1.300 horas de voo. Tinha como objetivo continuar a progredir profissionalmente e construir uma carreira na aviação.
A mãe, Camila Corteleti, falou sobre a paixão da filha por voar e a dedicação que colocava na profissão. Em declarações ao The New York Times procurou também esclarecer que Nathalia desempenhava funções de copiloto e não era a responsável pelo comando daquela operação.
O comandante da aeronave foi identificado como Jeffrey Gregory, de 55 anos.
O que se sabe sobre a queda do Learjet 60?
O voo tinha como ponto de partida o Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom, no Texas, e como destino North Eleuthera, nas Bahamas. A queda aconteceu perto de Greenacres, no condado de Palm Beach, por volta das 12:50 locais.
O impacto ocorreu numa zona residencial e provocou um incêndio. Os destroços ficaram espalhados pela área, onde as equipas de emergência tiveram de intervir. Uma pessoa que se encontrava no solo sofreu ferimentos ligeiros, de acordo com as informações divulgadas após o acidente.
A violência do impacto e a dispersão dos destroços levaram as autoridades a iniciar trabalhos de recolha e análise no local. A investigação procura agora reconstituir o percurso final da aeronave e perceber em que condições se encontrava antes de atingir o solo.
Problemas meteorológicos surgem entre os elementos analisados
As comunicações da tripulação antes do acidente passaram também a integrar a análise das autoridades. De acordo com os registos divulgados, terão sido comunicadas condições de gelo e turbulência durante o voo, quando o avião se encontrava a cerca de 35 mil pés de altitude.
Os dados preliminares apontam ainda para uma descida rápida da aeronave e para uma situação de emergência. Há indicações de que o avião poderá ter começado a desintegrar-se antes de atingir o solo, um dos aspetos que se procura esclarecer através da análise dos destroços.
A presença de gelo é, por isso, um dos elementos considerados na investigação. Ainda assim, não existe uma conclusão oficial que permita atribuir o acidente às condições meteorológicas, a uma falha técnica ou a um erro humano. Qualquer explicação sobre a origem da queda será prematura enquanto os trabalhos não estiverem concluídos.
Autoridades procuram determinar as causas do acidente
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) está a conduzir a investigação, com o objetivo de perceber o que levou o Learjet 60 a cair e de reconstituir os acontecimentos que antecederam o impacto.
A Upper Jets, empresa responsável pela operação do avião, manifestou pesar pela morte dos nove ocupantes e afirmou estar a colaborar com as autoridades.