segunda-feira, 02 nov. 2026

Ricardo Carvalho revela os bastidores da Seleção: Ronaldo não queria ser substituído. "É assim que ele é"

O antigo adjunto da Seleção Nacional contou que o avançado português não queria abandonar o relvado depois de marcar dois golos frente ao Usbequistão, no Mundial de 2026. Ricardo Carvalho admite que, na sua opinião, Roberto Martínez deveria ter substituído Cristiano Ronaldo mais vezes.
Ricardo Carvalho revela os bastidores da Seleção: Ronaldo não queria ser substituído. "É assim que ele é"

Cristiano Ronaldo não estava satisfeito com dois golos. Mesmo com Portugal em vantagem frente ao Usbequistão, no Campeonato do Mundo de 2026, o capitão queria continuar em campo e tentar aumentar a conta pessoal. O episódio foi recordado por Ricardo Carvalho, antigo membro da equipa técnica de Roberto Martínez, numa entrevista ao podcast The Obi One Podcast, conduzido por John Obi Mikel.

Segundo o antigo internacional português, o selecionador estava a ponderar retirar Ronaldo durante o encontro, quando a equipa já vencia por 3-0 e o avançado tinha bisado. A intenção não terá sido bem recebida pelo jogador, que manifestou vontade de continuar.

"O treinador estava a pensar tirá-lo, mas o Cristiano disse: “Ainda agora comecei a marcar golos, quero mais”", contou Carvalho. "Ele quer sempre mais. Dois não bastavam: queria três ou quatro. É assim que ele é."

A partida em causa foi disputada a 23 de junho de 2026 e terminou com uma vitória portuguesa por 5-0. Ronaldo marcou aos seis e aos 39 minutos, num encontro em que também alcançou um marco histórico: tornou-se o primeiro jogador a marcar em seis edições diferentes de um Campeonato do Mundo.

Ricardo Carvalho considera que Ronaldo devia ter saído mais vezes

A história contada pelo antigo defesa surgiu no contexto de uma reflexão sobre a utilização de Cristiano Ronaldo durante o período em que Roberto Martínez orientou a Seleção Nacional.

Carvalho não escondeu que teria tomado decisões diferentes relativamente aos minutos concedidos ao capitão. "Na minha opinião, ele deveria tê-lo retirado", afirmou, referindo-se à possibilidade de substituir o avançado em mais ocasiões.

O antigo adjunto explicou que Ronaldo é um jogador que acredita permanentemente na possibilidade de fazer a diferença, mesmo quando já apresenta sinais de desgaste. A convicção de que pode marcar a qualquer momento torna, na sua perspetiva, mais difícil convencê-lo a abandonar o terreno de jogo.

"Ele próprio pensa: “Vai chegar uma bola e eu vou marcar. Um livre e vou marcar”. É assim que ele é», explicou.

Carvalho reconheceu também que a decisão de Martínez não dependia apenas da vontade do capitão. Com um grupo de 26 jogadores, o selecionador tinha de gerir as expectativas dos restantes avançados, que procuravam oportunidades para jogar.

"Depois, é difícil para um treinador, porque não podes dar esse suporte a todos os jogadores. São uns 26 e se se trata o Cristiano dessa forma, depois vai ser difícil para os outros avançados, que estão ali à espera dos seus minutos. E mesmo para a equipa.", observou, acrescentando que dar um tratamento especial a Ronaldo poderia criar dificuldades na gestão dos restantes elementos do plantel.

A gratidão de Martínez também terá pesado na decisão

Na leitura de Ricardo Carvalho, a continuidade de Ronaldo em campo não se explicava apenas pela sua ambição desportiva. O antigo adjunto considera que o contributo do avançado para a Seleção ao longo dos anos também terá influenciado a forma como a equipa técnica geriu a sua utilização.

Carvalho recordou que o trabalho da equipa técnica estava a aproximar-se do fim e que Ronaldo tinha sido uma figura importante durante os três ou quatro anos anteriores.

"Penso que o Roberto quis continuar com ele porque nos deu muito durante estes três ou quatro anos. Não o queria deixar ir abaixo", afirmou.

O antigo internacional acrescentou que, pela sua experiência como jogador, considera importante saber quando abandonar o relvado. Com o avançar da idade, explicou, a recuperação durante os encontros torna-se mais exigente e a permanência em campo pode afetar a capacidade de acompanhar o ritmo da partida.

Carvalho apontou ainda o encontro com a Croácia como uma das poucas ocasiões em que se recorda de Martínez ter substituído Ronaldo, numa partida em que Gonçalo Ramos marcou depois de entrar. Ainda assim, ressalvou que a decisão final cabia sempre ao selecionador.

"Já não é o jogador que vi no Real Madrid"

A conversa com John Obi Mikel passou também pela evolução de Cristiano Ronaldo e pela comparação com Lionel Messi.

Carvalho, que partilhou o balneário com o português no Real Madrid, elogiou as características físicas, a capacidade de finalização e o jogo aéreo do avançado. Considera, contudo, que o jogador atual é diferente daquele que conheceu na capital espanhola.

"Tem 41 anos, já não é o mesmo jogador de há dez anos, mas, no Real Madrid, vi coisas inacreditáveis", recordou.

O antigo defesa destacou a capacidade que Ronaldo tinha para marcar de diferentes distâncias e a variedade de recursos que apresentava na altura. Na comparação com Messi, distinguiu as características dos dois futebolistas, salientando a qualidade técnica do argentino no um contra um e os recursos físicos e a capacidade de finalização do português.

Apesar das diferenças, Carvalho manteve uma avaliação muito elogiosa do percurso de Ronaldo, que considera um dos jogadores mais marcantes da história do futebol.

Ricardo Carvalho acredita que Ronaldo ainda quer continuar na Seleção

Questionado sobre o futuro do capitão português, o antigo adjunto admitiu que acredita que Ronaldo poderá continuar a jogar durante mais algum tempo.

"Ele continuará durante o tempo que quiser. Penso que será por mais um ano", afirmou, acrescentando que sente existir abertura na Federação Portuguesa de Futebol para a continuidade do avançado.

Carvalho considera que a decisão dependerá sobretudo da vontade do próprio jogador e daquilo que ainda sentir que pode oferecer à equipa das quinas.