quarta-feira, 19 ago. 2026

João Maurício Brás

A hipocrisia das políticas ambientais e o marketing fiscal

Será assim que se combate a poluição e os problemas climáticos? Não. Estas medidas podem indiciar uma profunda hipocrisia moral, porque não atacam as verdadeiras causas do problema e transferem a responsabilidade moral e financeira do produtor para o consumidor final.

A Direita portuguesa: Uma fragilidade estrutural

Aquilo que o centro e a esquerda rotulam como direita não o é na aceção profunda do termo. Subsiste, todavia, um espaço latente para uma força agregadora, capaz de colher reconhecimento entre os descontentes dos vários partidos e nas vastas fileiras da abstenção.

O modelo laboral que tem medo do futuro

Vivemos, em grande parte, ainda sob uma caricatura ideológica: os trabalhadores são sempre virtuosos e vítimas, enquanto as empresas, o investimento e a competitividade são vistos com suspeição ou como formas de exploração. O patrão surge como explorador por natureza e o trabalhador como um "coitadinho" passivo e indefeso.

A instrumentalização do racismo como arma de engenharia social e política

Certos ativismos de hoje têm um problema recorrente: antes de qualquer averiguação, já decidiram quem é inocente e quem é culpado. Uma das partes é automaticamente tratada como vítima; a outra, como agressor, numa lógica que importou da análise económica a dicotomia entre oprimidos e opressores e a aplicou à vida cultural e social

A liberdade é de esquerda? O equívoco do nosso tempo

Um dos pontos centrais das confusões do debate público é que nem a esquerda é a defensora exclusiva da liberdade, nem, se formos rigorosos e estabelecermos a origem do conceito à direita, podemos negar que a esquerda também a tematiza e que a direita tem também um lugar importante para a justiça.

A lenta morte da classe média portuguesa

O Salário Mínimo Nacional subiu para 920 euros em 2026, num aumento politicamente relevante. O salário médio, contudo, não acompanhou esse ritmo de forma proporcional, contribuindo para uma compressão salarial. Trabalhadores qualificados veem os seus rendimentos aproximarem-se do mínimo, reduzindo a diferenciação associada à qualificação.

De Trump a Magyar: A revolta e o futuro do conservadorismo

Somos o problema

O português típico é adaptativo: nem rebelde nem resignado, mas flexível no pior sentido. Aprende a navegar a burocracia, a contornar regras, a baixar expectativas. Não exige que o sistema melhore; pede apenas espaço para sobreviver dentro dele. A sua inteligência é prática, mas politicamente estéril.

O novo mundo não se pensa com ideias velhas

Entre o colapso do antigo e a consolidação do novo existe sempre um intervalo de indeterminação, no qual tudo depende da capacidade das sociedades de reconhecer os seus limites e de assumir responsabilidade pelas escolhas que fazem.

Quem decide o que pode ser pensado?

Não estamos perante uma simples disputa de opiniões, mas perante uma tentativa de monopólio moral do espaço público.

Género, ciência e proteção dos menores

Se a vida humana é importante, a de menores de idade ainda é mais. A legislação portuguesa proíbe jovens menores de votar, de fumar ou beber, de fazer tatuagens, de casar. Mas permitia que pudessem iniciar bloqueadores de puberdade e hormonas. Há aqui uma incoerência que vale a pena nomear.

Os tudólogos e a ditadura da opinião

Neste novo contexto, o valor central deixou de ser a notícia em si e passou a ser a interpretação da notícia. Já não interessa apenas o que aconteceu, que era tradicionalmente o núcleo da notícia, mas sobretudo o que significa aquilo que aconteceu. Esta passou a ser precisamente a função do tudólogo.