terça-feira, 03 nov. 2026

Mulheres às Direitas: Episódio 8 debate protestos nas ruas, Orçamento do Estado e cenário de bloco central

A influência da esquerda nas manifestações, a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 e a possibilidade de um entendimento entre socialistas e sociais-democratas dominam o novo episódio do videocast do SOL.

A esquerda está a tentar conquistar nas ruas aquilo que não conseguiu nas urnas? É esta uma das questões que marca o episódio 8 de Mulheres às Direitas, o videocast do SOL moderado por Rute Sousa, que esta semana reúne Angélique da Teresa, Liliana Reis e Helena Ferro de Gouveia. Patrícia Carvalho está ausente devido a trabalhos parlamentares.

O debate começa com os protestos em Portugal e noutros países europeus. Angélique da Teresa considera que partidos como o Bloco de Esquerda e o Livre procuram capitalizar as manifestações pela habitação, desviando as atenções das soluções para a crise habitacional.

Liliana Reis identifica uma reorganização da esquerda, mas sublinha que «a habitação não é propriedade ideológica da esquerda», defendendo respostas que envolvam diferentes forças políticas e os setores público e privado.

Helena Ferro de Gouveia alerta para a instrumentalização política das manifestações e critica o protagonismo dos confrontos e da atuação policial no debate público, em detrimento da discussão de soluções.

Abstenção do PS abre caminho a um bloco central?

Na segunda parte, as comentadoras analisam o Orçamento do Estado para 2027 e a decisão do Partido Socialista de se abster.

Helena Ferro de Gouveia faz uma avaliação positiva do documento, mas considera que a posição socialista resulta sobretudo de cálculos políticos. Já Angélique da Teresa classifica a proposta como «um orçamento socialista», criticando o aumento da despesa pública e a ausência de reformas estruturais.

Liliana Reis discorda desta classificação, mas rejeita igualmente a possibilidade de um acordo formal entre PS e PSD, defendendo que os dois partidos devem continuar a apresentar-se como alternativas políticas distintas.

«Esta semana falámos de duas formas de influência política, uma pela contestação das ruas e outra por acordos dentro do Parlamento», resume Rute Sousa no encerramento do episódio.