1.Cristiano Ronaldo deixa de jogar na Seleção Nacional e deixa para trás um trajeto incrível. Cristiano não é apenas o melhor jogador português de todos os tempos; é também o maior embaixador de sempre do futebol nacional e de Portugal.
2.Uma história de superação desde que deixou a ilha da Madeira e veio com uma ‘sacola de cartão’ para Lisboa e para o Sporting. Cristiano venceu na carreira muito à custa do seu esforço e também da sua autoestima. Sempre se olhou no espelho? Sim. Mas até esse olhar serviu para melhorar o que via. Quis ser sempre melhor. A preocupação da imagem nunca foi apenas uma questão estética ou de vaidade. Foi a projeção que eles quis ver espelhada no rendimento. Um rendimento extraordinário, que o levou a ser seguido em todo o planeta.
3.Na despedida emocionada com a qual hoje acordou Portugal falou da importância das pessoas. As pessoas que o seguiram por todo o lado. Emigrantes em grande número e gente de todos os países. Cometeu, talvez, o pecado de acreditar que aquilo que ia fazendo e com o envelhecimento que nos toca a todos, sobretudo para quem depende da performance desportiva, que ainda conseguia alcançar. E aquilo que costuma ser apontado como ambição foi visto, por muitos, como arrogância.
4.Um traço da mentalidade portuguesa, com heroicas exceções, não exceciona a consagração da mediocridade. A mediocridade tem mais valor do que excecionalidade. Cristiano nasceu na lindíssima ilha da Madeira e, apesar de ele se ter referido a todos os que ajudaram a ser uma lenda do desporto mundial, muito do sucesso que construiu universalmente deveu-se a si próprio. E isso dói muito para a mentalidade portuguesa vigente.
5.Toda a gente fala do estatuto, mas dentro de Cristiano Ronaldo o estatuto são 23 anos de carreira, de jogadas mágicas, de golos singulares, de esforço pessoal e coletivo, as conquistas e, sempre, sempre, a vontade de bater recordes e fazer mais. Os outros também têm direito ao seu tempo e ao seu espaço, mas o problemas não são ‘os outros’. São as cobras. Aqueles que pela frente reconhecem o mérito e a utilidade e que, nas costas, são capazes das maiores tropelias. Existem jogadores que fazem história e há outros (poucos) que são a História.
6.Cristiano não sai da melhor maneira, porque a melhor maneira, seria a competir na Seleção Nacional, em condições normais, e não como um jeito ou um frete, e Cristiano Ronaldo, perante a dimensão que o ‘caso’ tomou, recusou o frete. E fez muito bem, porque na verdade o que alguns que ainda o iriam tolerar na Seleção iriam fazer um exercício de hipocrisia de grande magnitude.
7.Tenho a certeza de que Cristiano Ronaldo ainda ponderou a hipótese de poder fazer alguma coisa no sentido de que o fim não fosse este. Mas isso seria trair aquilo que ele sempre pensou relativamente ao que achava que merecia e não merecia. E seria alinhar nessa gigante hipocrisia, porque um regresso seria a violentação de si próprio, a partir do momento em que se colocaria numa posição cheia de condicionantes.
8.Todo este processo foi, desde o início, muito mal conduzido. Era no Mundial que se deveria ter colocado um ponto final na carreira, na Seleção, mesmo depois da eliminação com a Espanha. Era nessa altura que se deveria ter agendado um jogo de consagração, porque já se sabia que, a partir dali, e com os indicadores conhecidos e no contexto da ação de um selecionador diferente de todos aqueles que tinham liderado a Seleção Nacional, iria ser muito difícil achar uma competição em que Cristiano Ronaldo e a Seleção conciliassem todos os interesses envolvidos.
9.Como disse precisamente há um mês houve feridas que não iriam sarar. As declarações que se fizeram em relação à sua grandeza e à vontade de um regresso foram, muitas delas, falsas. Cheguei a dizer, há algum tempo, que a Seleção já podia suportar a ausência de Cristiano, em função do crescimento que ela conheceu nos últimos anos. Não esqueçam, já agora, o contributo que Ronaldo deu para abrir portas a muitos jogadores portugueses, como Mourinho fez em relação à classe dos treinadores.
10.O que mais custa é perceber a forma como tantos comentadores trataram deste assunto: desde aqueles que sabiam tudo, passando por aqueles que se perdiam de risos e sorrisinhos quando se colocou a hipótese de Cristiano Ronaldo não regressar mais à Seleção, depois do episódio do abandono do estágio, sem esquecer aqueles que negam o que foram afirmando. Uma tristeza aquilo que se vê hoje em certas pantalhas, mesmo naquelas em que alguns deslumbrados do Grupo do qual CR é acionista troçaram da tese do abandono. Coitados! Não têm noção da figura que fazem, mesmo compreendendo que não deve ser fácil verem que outros (fora desse Grupo) podem estar mais informados do que eles próprios, os sabichões disto tudo, sem tirar méritos aqueles que sabem estar na área do comentaria. Felizmente, não são todos iguais. O contentamento gerado nas redações em relação ao anúncio da despedida de Cristiano Ronaldo é ‘um caso de estudo’.
Mas essa é a ‘estória’ que menos conta agora. O importante é o reconhecimento devido e sincero. E felizmente há milhões de pessoas que, não estando mal resolvidos consigo próprios, são capazes de ser gratos.
Cristiano Ronaldo sempre e para sempre! Incomparável.
EXAME
C. RONALDO
20
Uma carreira (também na Seleção) incomparável.
BEDNAREK
16
O melhor central da Liga portuguesa
PAULO FONSECA
15
À partida, uma boa aposta do Sporting
EXEVERRI
14
Promete e… Sudakov que se cuide!