A tenda é uma arma!

O PREC foi derrubado no 25 de Novembro, mas há quem sonhe em ressuscitá-lo através das assembleias populares. Tenham juízo.

Numa conversa com um amigo que desempenha funções públicas, ele alertava-me para o facto de não termos consciência de como as guerras da Ucrânia e do Irão estão a alterar e a prejudicar as nossas vidas. «Há uns meses, pensámos, porque precisamos, comprar umas máquinas e olhámos para os preços e percebemos que teríamos que gastar uns quatro milhões de euros. Como as autorizações levaram algum tempo, as mesmas máquinas agora já custam quase o dobro, pois há uma escassez enorme de chips e outras peças necessárias para a indústria, encarecendo brutalmente os produtos», dizia-me.

Um outro amigo, dono de um restaurante, dava-me conta das suas idas à Makro e ao Recheio, onde se abastece diariamente. «Antigamente, conseguia, com 500 euros, levar os produtos alimentares para o dia. Agora, mil euros quase que não chegam, e, para agravar o problema, já faltam muitos produtos, nomeadamente hortícolas, e muitos dos que estão nas prateleiras já vêm de Espanha. Até coisas básicas como a mostarda desaparecem. A carne e o peixe estão a um preço doido - ainda por cima há a proibição de importar carne brasileira - e só nos resta fazer uma coisa: cortar nas margens de lucro, pois caso contrário ficamos sem clientes».

Como cliente habitual da Feira do Relógio e dos mercados de Benfica e do Rego, facilmente percebo que há produtos que quase aumentaram 100%, e falo de coisas tão básicas como a salsa ou os coentros - um molho enorme custava 60 cêntimos, hoje não se compra por menos de um euro; a diferença é abissal para os supermercados, onde se paga mais por menos de um terço do produto -, já não falando nos grelos, no feijão verde ou na couve keil. «Oh senhor Vítor, o combustível está muito mais caro e o trator não anda a água», diz-me Cristina, uma impressionante força da natureza, do alto do seu metro e cinquenta, enquanto ‘trepa’ para dentro da carrinha onde vai buscar mais verduras.

Falemos agora na crise da Saúde. A história deu muito que falar, mas, como muitas outras, passou à história! Miguel Alpalhão, médico dermatologista, foi ‘despedido’ depois de se ter descoberto que tinha ganho mais de 700 mil euros em 22 dias, com cirurgias fora de horas no Hospital Santa Maria. O efeito do escândalo é que muitas administrações hospitalares terão optado por restringir ao máximo as cirurgias e consultas extraordinárias. Por isso, hoje há milhares de cirurgias que estão com um atraso que ultrapassa, e muito, o que estava estipulado. Como hoje só se fala de tendas e de uma decisão judicial verdadeiramente surreal, a Saúde pode esperar por melhores dias. A não ser que os doentes que aguardam por cirurgias e consultas, há largos meses, decidam montar tendas à frente das unidades de Saúde. Não faltarão músicos a querer participar na festa, uns com mais salero do que outros.

Com o circo montado, arranjam-se pessoas que enfrentam problemas verdadeiros, e que aguardam há meses por uma cirurgia ou uma consulta, misturam-se uns ‘avatares’, que farão muito barulho por estarem indignados com os atrasos nas cirurgias, nomeadamente as da mudança de sexo, fazem-se as assembleias populares e avisa-se a Polícia que ninguém ‘desmonta’ a tenda. Depois chamam-se uns advogados ligados à extrema-esquerda, mas que gostam de se fazer pagar muito bem, excetuando estes casos dos ‘tendeiros’ e, se for preciso, por exemplo, a advogada conhecida como a herdeira alegará que a Polícia não poderá retirar as tendas, já que os seus clientes estão a dormir e não podem ser avisados. A herdeira ainda intentará uma ação contra o Estado, alegando danos psicológicos graves devido à atuação policial. Já se a acampada for à porta do Lux, então a conversa será outra. Aí os polícias já poderão dar jeito. Mas não posso deixar de sugerir mais locais para acampadas: na residência do Presidente da República, e à porta da casa da juíza que decidiu ‘autorizar’ uma fundamentalista de extrema-esquerda de montar a sua tenda no Rossio. Viva as Assembleias Populares! Viva Lenin! Viva Pol Pot! Viva Mao! Viva Fidel! Viva a miséria!

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Telegramas

Uma mulher de pénis

Tenho acompanhado a telenovela brasileira Erika Hilton e não deixo de me surpreender a cada novo episódio. Se havia dúvidas que o mundo enlouqueceu, Erika é a prova disso. Nascido homem, apresenta-se como mulher trans, explicando que «mulher moderna não menstrua, não gesta e pode ter pénis». E foi esta personagem que foi eleita, no princípio do ano, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara de Deputados e que agora «teve a maior votação registrada por uma mulher em uma eleição para a Câmara dos deputados do Brasil», como escreve um jornal brasileiro. A cereja em cima do bolo é que já é apontado como sucessor, perdão, sucessora, de Lula. Ah! Quem diz que Erika é um homem biológico já sabe que vai a tribunal, onde é condenado. Isto no Brasil! Para que fique claro, é-me indiferente se a pessoa se sente isto ou aquilo, se quer ser trans, homo, bi o que quer que seja. Cada um que seja o que quiser. Agora dizer que a mulher moderna tem pénis, não menstrua e não gesta, é o cúmulo da loucura. Antigamente, dizia-se, simplesmente, travesti.