quarta-feira, 04 nov. 2026

"Terão resposta, com certeza": Miguel Pinto Luz garante resposta a manifestantes pela habitação e propõe conversa sem "mediatismos"

O ministro das Infraestruturas e da Habitação recebeu uma carta com as reivindicações de dois representantes da Acampada do Porto e do Movimento Porta a Porta. A troca de palavras aconteceu à porta da Câmara do Porto, depois de o ministro ter sido recebido com palavras de ordem na Avenida dos Aliados.
"Terão resposta, com certeza": Miguel Pinto Luz garante resposta a manifestantes pela habitação e propõe conversa sem "mediatismos"

O ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, recebeu hoje, no Porto, uma carta de dois manifestantes pelo direito à habitação com as várias reivindicações e garantiu que lhes dará resposta, convidando-os a conversar sem “mediatismos”.

“Vou ler esta carta. A secretária de Estado também vai ler esta carta. Terão resposta, com certeza”, garantiu Miguel Pinto Luz aos manifestantes Henrique Blanc e Raquel Ferreira, que representavam a Acampada do Porto e o Movimento Porta a Porta.

O ministro falava com os dois à porta da Câmara do Porto, após assinar um conjunto de protocolos de cooperação, e disse ser “legítimo” que não concordem com as medidas que o Governo tem apresentado.

Pinto Luz disse que, enquanto eleito, tem a “obrigação” de ouvir os manifestantes, mas deve querer ouvi-los com “espírito crítico” e não como tinha acontecido na Avenida dos Aliados, antes de chegar à Câmara do Porto, em que foi recebido com palavras de ordem.

“É ouvir de facto e perceber aquilo que nós podemos fazer ou não podemos fazer. Mas não é neste espaço que nós discutimos. Eu gosto de discutir as coisas com profundidade, não é com mediatismos, não é com nada”, acrescentou, agradecendo pela carta.

Ao ministro, Raquel Ferreira pediu para que o movimento pela habitação fosse ouvido sem “circo mediático” e exigiu que “realmente olhe para este problema como um problema gravíssimo no nosso país e dê respostas ao povo e não aos fundos imobiliários e à banca”.

“Mas, deixe-me dizer-lhe isto: que não fique a ideia que nos dois últimos anos e meio nós [Governo] não fizemos nada. Vocês podem não concordar com o que fizemos, mas não temos parado um segundo”, respondeu-lhe o ministro, que disse ser um “cidadão como todos os outros” e partilhar do mesmo “nível de preocupação”.

À chegada aos Paços do Concelho, esta manhã, Pinto Luz deslocou-se à Avenida dos Aliados para ir ter com os manifestantes, mas apenas falou com jornalistas por considerar que não tinha condições para os ouvir.

Na ocasião, o ministro da Habitação disse estar disponível para ouvir os movimentos pelo direito à habitação.

“Eu estou disponível para ouvir se me quiserem ouvir, [mas] nestas condições é impossível”, disse.

Pinto Luz acrescentou estar ali “de forma frontal, absolutamente serena”.

“[Eu] não fujo”, disse, mas "temos de ouvir e ser ouvidos”.

Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa e outras cidades do país, reivindicando a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à compra de casas por fundos imobiliários, mais habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

Na madrugada de domingo, a PSP voltou a dispersar as acampadas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas, situação que provocou dezenas de feridos entre manifestantes e polícias, motivando um pedido de esclarecimentos do Presidente da República, António José Seguro, ao Governo e à Provedora de Justiça, e o anúncio de uma queixa-crime, por parte de um advogado, por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna e o diretor da PSP.