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Uma imagem inesperada começou a surgir no site do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU): um panda dentro de uma tenda com manisfestantes visíveis no fundo. A alteração foi detetada esta quinta-feira na página onde é possível consultar as Áreas de Reabilitação Urbana dos diferentes municípios portugueses.
Segundo o jornal ECO, ao selecionar qualquer um dos municípios naquela plataforma, os utilizadores eram encaminhados para uma página que apresentava a imagem. O episódio foi noticiado como um ataque informático ao site do instituto, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre a origem da intervenção ou os responsáveis.
Imagem surge numa página dedicada à reabilitação urbana
A imagem colocada na plataforma mostra um panda dentro de uma tenda, com uma expressão abatida, enquanto ao fundo aparecem manifestantes. A escolha da ilustração parece remeter para os protestos relacionados com a habitação que têm marcado a atualidade, sobretudo em Lisboa e no Porto.
A alteração foi identificada numa área específica do portal do IHRU, dedicada à consulta das Áreas de Reabilitação Urbana. Não há, para já, informação pública que permita concluir que outras páginas ou sistemas do instituto tenham sido afetados.
O IHRU é um organismo público responsável por promover, coordenar e acompanhar a política nacional de habitação, bem como os programas governamentais relacionados com o arrendamento habitacional e a reabilitação urbana.
Episódio surge após polémica com declarações do presidente do IHRU
A imagem aparece numa altura em que o instituto está no centro da discussão pública sobre a habitação, depois das declarações do seu presidente, Benjamim Pereira, sobre as dificuldades sentidas pelos jovens no acesso a uma casa.
A 22 de outubro, durante uma intervenção pública em Vila Nova de Gaia, o responsável afirmou não saber se a sociedade atual estaria disponível para fazer o nível de sacrifícios que as gerações anteriores fizeram para conseguir comprar casa. Na ocasião, recordou também a experiência dos avós, que emigraram para poderem ter habitação.
As declarações geraram contestação entre manifestantes e motivaram uma reação do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que as considerou "infelizes". No dia seguinte, Benjamim Pereira reconheceu que não tinha escolhido as palavras mais adequadas e rejeitou ter defendido a emigração ou uma visão nostálgica dos sacrifícios das gerações anteriores.