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Uma referência à vida privada de Mette-Marit da Noruega está a obrigar a rever um livro sobre futebol. Em causa estão informações sobre o transplante pulmonar a que a princesa foi submetida em junho deste ano, cuja divulgação levou o médico responsável pelo seu acompanhamento a questionar a exatidão do relato e a alertar para a confidencialidade da doação de órgãos.
A controvérsia envolve Alfred Fidjestøl, autor de uma obra sobre a participação da seleção norueguesa no Mundial de futebol. No livro, o escritor relacionou a cirurgia de Mette-Marit com o encontro entre a Noruega e o Iraque, disputado a 17 de junho, e escreveu que o dador teria morrido num acidente na Escandinávia, segundo avançou o jornal norueguês Dagbladet.
Médico questiona rigor das informações
Are Holm, médico que acompanha a princesa e diretor do departamento de Pneumologia do Rikshospitalet, em Oslo, reagiu às informações divulgadas. O especialista contestou a forma como o episódio foi apresentado e chamou a atenção para a necessidade de proteger a identidade de quem doa órgãos.
A confidencialidade é particularmente importante neste caso: a divulgação de pormenores sobre a data, o local ou as circunstâncias da morte de um dador pode, em determinadas situações, facilitar a sua identificação. O médico questionou, por isso, a publicação de elementos que não estão confirmados e que podem comprometer essa proteção.
Depois de confrontado com as críticas, Fidjestøl reconheceu que não tinha conhecimento da data exata da intervenção. O autor explicou que pretendia apenas situar temporalmente o episódio, mas acabou por estabelecer uma associação que não podia comprovar.
Editora vai alterar o livro
O escritor pediu desculpa pela formulação e a editora Gyldendal anunciou que a passagem será corrigida. As alterações deverão abranger as versões digitais e áudio, assim como as próximas edições impressas.
A polémica não levou, contudo, o Palácio Real a prestar novos esclarecimentos. Contactada pela imprensa norueguesa, a instituição optou por não comentar o caso.
Mette-Marit revelou que sofria de fibrose pulmonar em 2018. A doença provoca cicatrizes no tecido pulmonar, reduzindo a capacidade de funcionamento dos pulmões e podendo dificultar progressivamente a respiração.
O transplante foi anunciado pelo Palácio Real em junho de 2026, depois de a princesa ter sido submetida à intervenção no Rikshospitalet. Na altura, a Casa Real informou que a cirurgia tinha decorrido com sucesso, sem divulgar outros pormenores clínicos ou informações sobre o dador.