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José Luís Carneiro anunciou este domingo que o PS vai chamar a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ao Parlamento, com caráter de urgência, na sequência das denúncias sobre falhas na assistência médica no Hospital de Portimão. O secretário-geral socialista revelou ter recebido informações sobre uma terceira morte, desta vez de uma criança, alegadamente relacionada com a falta de resposta naquela unidade hospitalar e durante o transporte para Faro. Segundo a CNN Portugal, em comunicado, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve desmentiu a ocorrência.
A informação foi avançada pelo líder socialista durante uma declaração aos jornalistas, à margem de um almoço com militantes em Midões, no concelho de Tábua, distrito de Coimbra.
A criança terá morrido em outubro. Foi atendida mas não sobreviveu, e por isso poderá tratar-se de um situação diferente, segundo apurou a CNN. O dirigente não adiantou mais pormenores sobre as circunstâncias do alegado caso nem identificou a origem da informação que recebeu.
O comunicado da ULS do Algarve afasta, para já, a existência deste terceiro episódio nos termos denunciados pelo secretário-geral do PS. Assim, a alegada morte da criança não deve ser confundida com os dois casos de utentes adultos que estão a ser alvo de averiguações.
PS quer ouvir ministra da Saúde com urgência
Perante as informações que diz ter recebido e as denúncias sobre o funcionamento das urgências, José Luís Carneiro anunciou que pretende levar a situação ao Parlamento e exigir explicações ao Governo.
O líder socialista considera que a ministra da Saúde deve esclarecer as dificuldades sentidas naquela unidade hospitalar e apresentar as medidas que o Executivo pretende adotar para responder às necessidades da população algarvia.
No sábado, o secretário-geral do PS já tinha exigido explicações ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre duas mortes de utentes no Hospital de Portimão, alegadamente ocorridas antes de receberem assistência médica.
"É muito importante que o Primeiro-Ministro explique aos portugueses, particularmente aos algarvios, o que é que aconteceu e o que está a pensar fazer para responder aos algarvios que não encontram respostas na saúde, neste caso nas urgências do Hospital de Portimão." disse em declarações aos jornalistas.
Carneiro disse ainda ter falado com o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila, que lhe transmitiu informações que considerou preocupantes sobre a falta de médicos nas urgências e os tempos de espera dos doentes.
O socialista criticou também a ausência de respostas por parte do Governo e considerou que a responsabilidade política pela situação deve ser assumida, em primeiro lugar, pelo chefe do Executivo.
Duas mortes nas urgências estão a ser investigadas
A polémica em torno do Hospital de Portimão ganhou dimensão depois de terem sido conhecidos dois casos de utentes que morreram naquela unidade sem, alegadamente, terem sido observados por um médico.
Um dos episódios envolve um homem de 87 anos, que morreu na madrugada de 4 de novembro, depois de ter aguardado várias horas por assistência no serviço de urgência.
De acordo com os esclarecimentos anteriormente divulgados pela ULS do Algarve, o homem tinha dado entrada no hospital na tarde do dia anterior, com queixas de vómitos e dores abdominais, tendo recebido uma pulseira amarela na triagem.
Foi chamado para observação médica por volta das 04h00, após 12 horas de espera, mas não respondeu. Acabou por ser encontrado inconsciente na sala de espera e transportado para a sala de reanimação, onde foram realizadas manobras de reanimação, sem sucesso.
A morte motivou a abertura de um inquérito interno pela ULS do Algarve. Também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde anunciou uma investigação para apurar as circunstâncias do sucedido.
O segundo caso diz respeito a um homem de 94 anos que, segundo as denúncias divulgadas, terá permanecido cerca de 24 horas no serviço de urgência sem observação médica. O episódio terá ocorrido no início de outubro e integra as situações comunicadas por profissionais de saúde sobre o funcionamento daquele serviço.
A ULS do Algarve confirmou a abertura de averiguações internas às situações denunciadas e garantiu colaboração com as entidades competentes. Até à conclusão dos inquéritos, a administração considera prematuro antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades.
A situação levou ainda o presidente da Câmara de Portimão a exigir esclarecimentos à administração hospitalar e ao Ministério da Saúde, tendo anunciado a intenção de pedir uma reunião urgente com Ana Paula Martins.
Em causa estão as condições de funcionamento das urgências de uma unidade que serve milhares de pessoas no Algarve e cuja capacidade de resposta está agora sob escrutínio.