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Um homem morreu nas urgências do Hospital de Portimão depois de ter permanecido cerca de 24 horas sem ser observado por um médico. O episódio aconteceu a 7 de outubro e é um dos casos relatados pela equipa de enfermagem, que aponta para uma sucessão de recusas de atendimento e para a falta de responsáveis que pudessem intervir.
Segundo a denúncia, citada pela SIC Notícias, o doente regressou ao serviço de urgência no início da tarde, depois de ter sido observado pela Urologia, em Faro. Apresentava os mesmos sintomas que o tinham levado ao hospital no dia anterior, mas não conseguiu obter uma avaliação médica.
Os enfermeiros terão recomendado que fosse observado, mas o médico responsável pelo atendimento recusou fazê-lo. A equipa tentou então recorrer à Cirurgia Geral, sem sucesso. Perante as respostas negativas, os profissionais de enfermagem mantiveram o homem sob vigilância e prestaram-lhe cuidados básicos durante a tarde, a noite e a madrugada.
A situação agravou-se na manhã seguinte, quando foi emitida uma notificação de risco de óbito. Ainda assim, de acordo com o relato dos enfermeiros, não houve alterações na resposta clínica. Sem médico disponível e sem um chefe de equipa a quem recorrer para encontrar uma solução, o doente sofreu uma paragem cardiorrespiratória e acabou por morrer.
A equipa de enfermagem pede escusa de responsabilidade e denuncia aquilo que descreve como um cenário de desorganização no serviço de urgência médico-cirúrgica. Entre os problemas identificados estão a ausência frequente de um chefe de equipa e o afastamento prolongado do diretor do serviço, circunstâncias que, segundo os profissionais, terão contribuído para um vazio de responsabilidades e para recusas de observação por parte de médicos escalados.
A denúncia inclui ainda outros episódios. Dois doentes estarão internados nas urgências há mais de duas semanas, sem medicação prescrita ou encaminhamento para instituições sociais. É também referido o caso de um paciente transferido do Hospital de Santa Maria com indicação para ser operado, mas cuja intervenção terá sido recusada pela Cirurgia.
Entretanto, o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve formalizou, esta quinta-feira, a exoneração do diretor do serviço de urgência. A decisão foi anunciada na sequência da divulgação de outro caso: a morte de um homem de 87 anos, que terá esperado 12 horas na sala de espera das urgências de Portimão sem receber assistência.
João Coucelo, o diretor exonerado, rejeita responsabilidades pelos problemas denunciados e afirma que esteve de licença parental durante os últimos meses. Num comunicado, recorda que, ao longo do cerca de ano e meio em que esteve à frente do serviço, conseguiu reduzir os tempos de espera.
O antigo responsável afirma, contudo, que foram tomadas decisões contrárias às orientações que transmitia e garante ter alertado a administração para as dificuldades existentes. Segundo explica, desde o início do ano que formalizou vários avisos, mas não obteve a resposta nem o apoio que considerava necessários.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) já abriu um processo de inquérito à morte do homem de 87 anos. O Ministério da Saúde pediu também esclarecimentos à ULS do Algarve sobre os restantes episódios denunciados pelos enfermeiros, mas diz que vai aguardar os resultados da análise.