quinta-feira, 05 nov. 2026

Milhares de crimes de abuso sexual e pornografia de menores: filha de 13 anos entre as vítimas

Um homem de 35 anos, detido em Portel está indiciado de mais de 7.864 crimes de abuso sexual e pornografia de menores. Entre as vítimas está a própria filha, atualmente com 13 anos. O arguido ficou em prisão preventiva
Milhares de crimes de abuso sexual e pornografia de menores: filha de 13 anos entre as vítimas

Um homem de 35 anos, detido em Portel, no distrito de Évora, está indiciado da prática de mais de 7.864 crimes de abuso sexual e pornografia de menores, de que terão sido vítimas a própria filha e outras crianças. O arguido ficou em prisão preventiva, por decisão do Tribunal de Évora, revelou esta quinta-feira o Ministério Público (MP).

Em comunicado publicado na página da Procuradoria-Geral Regional de Évora, o MP explica que o homem está fortemente indiciado pela prática de, pelo menos, 864 crimes de abuso sexual de crianças agravado, tendo como vítima a filha, atualmente com 13 anos.

A estes crimes juntam-se mais de 7.000 crimes de pornografia de crianças agravado, sendo a menor também incluída no conjunto de vítimas.

Segundo a investigação, os alegados abusos terão ocorrido na residência familiar, pelo menos desde 2019 e até à data da detenção. A criança teria então seis ou sete anos.

«Encontra-se fortemente indiciado que o arguido, pelo menos desde 2019 e até à data da sua detenção, abusou sexualmente da sua filha, desde os 6/7 anos, através da prática de atos sexuais de relevo», refere o Ministério Público.

As práticas seriam filmadas e fotografadas pelo suspeito, que posteriormente disponibilizaria os conteúdos através de plataformas informáticas acessíveis a um número indeterminado de pessoas.

Milhares de ficheiros encontrados em dispositivos eletrónicos

Quando foi detido, em flagrante delito pela Polícia Judiciária (PJ), o homem tinha na sua posse e na residência vários dispositivos eletrónicos e informáticos.

A análise destes equipamentos permitiu encontrar milhares de ficheiros com imagens e vídeos de crianças e jovens com menos de 14 anos, incluindo conteúdos de natureza sexual explícita, segundo o Ministério Público.

O arguido vivia em união de facto com a mãe da menor. O agregado familiar incluía ainda um outro filho, um bebé de 10 meses. Os factos investigados terão ocorrido na residência onde a família habitava.

Tribunal decretou prisão preventiva

O homem foi presente a primeiro interrogatório judicial na quarta-feira. Perante os elementos apresentados, o Tribunal de Évora determinou a aplicação da medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva, tendo o arguido sido conduzido ao Estabelecimento Prisional de Elvas, no distrito de Portalegre.

O Ministério Público tinha também promovido a proibição de todos os contactos do suspeito com a filha, a mãe desta e o irmão, medida que foi igualmente acolhida pelo juiz de instrução criminal.

Na fundamentação da proposta de medidas de coação, o MP apontou os perigos de continuação da atividade criminosa, de perturbação do inquérito e de alarme social.

A investigação prossegue sob a direção do Ministério Público, através do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, com a colaboração da Polícia Judiciária.