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O Infarmed está a alertar os cidadãos e os profissionais de saúde para a importância de identificar e comunicar suspeitas de reações adversas a medicamentos. A autoridade nacional do medicamento sublinha que não é necessário ter a certeza de que determinado sintoma foi provocado por um fármaco para fazer uma notificação.
O apelo é lançado no âmbito da 11.ª participação consecutiva do Infarmed na campanha internacional #MedSafetyWeek, que começou esta segunda-feira e decorre até domingo, sob o lema «Não ignore as suspeitas de reações adversas. Notifique-as!».
A iniciativa, liderada pelo Uppsala Monitoring Centre (UMC), conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da International Coalition of Medicines Regulatory Authorities (ICMRA). A edição deste ano será, segundo o Infarmed, a maior de sempre, envolvendo mais de 130 organizações de mais de 120 países e divulgando mensagens em mais de 61 línguas.
Reações podem surgir mesmo após muito tempo de tratamento
Em comunicado, o Infarmed recorda que, apesar de os medicamentos serem fundamentais para prevenir e tratar doenças e melhorar a qualidade de vida, também podem provocar efeitos indesejáveis.
«Estas podem surgir de forma súbita ou gradual, mesmo após períodos prolongados de utilização», adverte a autoridade.
Algumas reações adversas são facilmente identificáveis, mas outras podem não apresentar sintomas evidentes e só ser detetadas através de exames ou análises clínicas.
O risco pode manifestar-se em diferentes circunstâncias, nomeadamente no início de um tratamento, após alterações da dose ou quando são utilizados simultaneamente outros medicamentos, determinados alimentos ou produtos à base de plantas.
Por isso, o Infarmed aconselha os cidadãos a consultarem os folhetos informativos dos medicamentos e a esclarecerem dúvidas junto dos profissionais de saúde.
A autoridade recomenda que sejam comunicadas suspeitas de reações adversas, sobretudo quando estas interferem com as atividades do dia a dia, são graves ou não estão descritas no folheto informativo.
«Não é necessário ter a certeza de que a reação foi causada pelo medicamento para efetuar a notificação», reforça.
Portugal recebeu mais de 12 mil notificações em 2025
As suspeitas de reações adversas podem ser comunicadas através do Portal RAM, a plataforma do Infarmed destinada à receção e análise destas notificações.
Os dados são integrados no Sistema Nacional de Farmacovigilância, permitindo acompanhar continuamente a segurança dos medicamentos e identificar eventuais riscos que possam não ter sido detetados antes da sua utilização generalizada.
Segundo o último relatório de atividade do sistema, foram recebidas 12.349 notificações de suspeitas de reações adversas a medicamentos em 2025, mais 9,2% do que em 2024.
O Infarmed atribui este crescimento ao maior envolvimento dos profissionais de saúde e dos cidadãos.
A comunicação destas suspeitas permite identificar novos riscos, detetar problemas de segurança inesperados e aprofundar o conhecimento sobre reações já conhecidas, apoiando a adoção de medidas de proteção da saúde pública.
«Cada notificação conta e pode ajudar a tornar os medicamentos mais seguros para todos», sublinha o Infarmed.