sexta-feira, 06 nov. 2026

Procuradoria Europeia investiga fundos europeus após acidente ferroviário em Urda

A investigação incide sobre verbas comunitárias destinadas à modernização dos sistemas de segurança, sinalização e comunicações da linha ferroviária. A Guarda Civil espanhola está a recolher documentação em três entidades, numa investigação que surge depois do acidente que provocou 69 mortos, em Toledo.

A utilização de fundos europeus na modernização da linha ferroviária de alta velocidade entre Madrid e Sevilha está sob investigação da Procuradoria Europeia. O organismo abriu um processo por suspeitas de fraude e avançou, esta sexta-feira, com diligências em três entidades espanholas, na sequência do acidente ferroviário ocorrido perto de Urda, na província de Toledo, que provocou 69 mortos.

A operação conta com o apoio da Unidade Central Operacional (UCO) da Guarda Civil espanhola e abrange as instalações do Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), da Agência Estatal de Segurança Ferroviária (AESF) e do Tribunal de Contas de Espanha.

Em causa estão possíveis irregularidades na utilização de verbas da União Europeia destinadas à renovação e melhoria dos sistemas de segurança, sinalização e comunicações da linha Madrid-Sevilha. A investigação foi aberta por iniciativa da própria Procuradoria Europeia, que confirmou a realização das diligências, mas não avançou mais pormenores sobre o processo.

O organismo europeu esclareceu que a confirmação foi feita perante o interesse público suscitado pelo caso e que, nesta fase, não serão divulgadas outras informações.

Uma segunda investigação sobre a mesma linha ferroviária

O processo agora aberto não é o primeiro da Procuradoria Europeia relacionado com a infraestrutura ferroviária entre Madrid e Sevilha.

Em março deste ano, o organismo já tinha iniciado outra investigação sobre possíveis irregularidades na utilização de fundos comunitários destinados à manutenção da mesma linha, depois do acidente de Adamuz, na província de Córdova, em janeiro.

Nesse acidente morreram 46 pessoas. A abertura de um segundo processo, agora na sequência da colisão de Urda, volta a colocar sob escrutínio a aplicação das verbas europeias destinadas à modernização e manutenção da infraestrutura.

Os dois acidentes provocaram, no total, 115 mortos.