A prestação média mensal dos empréstimos à habitação própria permanente atingiu os 450 euros em setembro, o valor mais elevado desde o início da série estatística, em dezembro de 2018. O montante representa um aumento de quatro euros face a agosto e de 32 euros em comparação com o final de 2025, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
Em termos homólogos, a prestação média aumentou 9%, tendo registado a 13.ª subida mensal consecutiva. O valor ultrapassa os 446 euros de agosto, que já constituíam então um máximo histórico na série do banco central.
De acordo com o BdP, a subida resultou do aumento da prestação média tanto nos contratos de crédito já existentes como nos novos empréstimos, sendo que estes últimos apresentam prestações médias mais elevadas.
Juros dos novos créditos voltam a subir
Também a taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação voltou a aumentar em setembro, fixando-se em 3,05%, contra 3,01% em agosto. O valor está igualmente acima dos 2,86% registados no mesmo mês de 2025 e é o mais elevado desde abril de 2025, quando atingiu 3,06%.
A subida foi impulsionada pelos novos contratos, cuja taxa de juro média avançou 0,07 pontos percentuais, para 3,07%. Em sentido contrário, nos contratos renegociados, a taxa recuou 0,02 pontos percentuais, fixando-se em 3,05%.
Apesar da subida, Portugal mantém uma das taxas médias mais baixas da zona euro. Em setembro, a taxa média das novas operações de crédito à habitação na área do euro aumentou 0,02 pontos percentuais, para 3,62%, colocando Portugal na quinta posição entre os países com juros mais baixos, depois de Malta, Bulgária, Croácia e Espanha.
A taxa mista continuou a dominar as novas contratações: 86% dos novos empréstimos à habitação foram celebrados neste regime, que combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior de taxa variável.
Nas novas operações a taxa mista, a taxa de juro média subiu 0,05 pontos percentuais, para 2,92%. Já nos contratos a taxa variável, o aumento foi de 0,04 pontos percentuais, para 3,30%.
Crédito à habitação supera os 2.100 milhões num mês
Os dados do banco central mostram também que os bancos concederam 2.171 milhões de euros em novos empréstimos à habitação em setembro, excluindo renegociações. Trata-se de um aumento de 4,2% face ao mesmo mês de 2025 e de mais 34 milhões de euros em comparação com agosto.
No conjunto das várias finalidades, os novos contratos de crédito a particulares totalizaram 3.121 milhões de euros, mais 92 milhões do que no mês anterior e um crescimento homólogo de 6,3%.
As renegociações atingiram 622 milhões de euros, mais 84 milhões de euros do que em agosto, sobretudo devido à renegociação de empréstimos à habitação, que aumentou 81 milhões de euros.
No total, as novas operações de crédito a particulares — incluindo novos contratos e renegociações — somaram 3.743 milhões de euros, mais 176 milhões do que no mês anterior. O crescimento foi explicado sobretudo pelo crédito à habitação, cujas novas operações aumentaram 116 milhões de euros, para 2.759 milhões.
Nos empréstimos ao consumo, a taxa de juro média das novas operações desceu 0,15 pontos percentuais, para 8,83%. Já nos créditos para outros fins, subiu 0,04 pontos percentuais, fixando-se em 3,78%.
Juros do crédito às empresas também aumentam
O financiamento às empresas registou igualmente uma subida em setembro. O montante de novas operações de empréstimos concedidos a este setor atingiu 2.338 milhões de euros, mais 276 milhões do que em agosto.
A evolução ficou a dever-se principalmente aos novos contratos, que aumentaram 345 milhões de euros, para 2.184 milhões.
A taxa de juro média das novas operações de empréstimos às empresas também avançou, passando de 4,15% em agosto para 4,25% em setembro, uma subida de 0,10 pontos percentuais.