O Passe Ferroviário Verde atingiu em outubro um novo máximo de utilização, com 94.495 carregamentos, o número mais elevado desde que o título foi lançado, em outubro de 2024. O resultado representa um crescimento de 24% face ao mesmo mês de 2025 e confirma a tendência de aumento da procura pelo passe ferroviário de 20 euros mensais.
Os dados foram divulgados este domingo, em comunicado, pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação, que indica também que, entre janeiro e outubro de 2026, o número de carregamentos aumentou 26% em comparação com o período homólogo do ano passado.
O crescimento surge depois de setembro já ter registado um máximo superior a 88 mil carregamentos. Em apenas um mês, o número voltou a subir, ultrapassando pela primeira vez a fasquia dos 94 mil.
Desde o lançamento, há dois anos, foram realizados mais de 1,5 milhões de carregamentos deste título de transporte.
Alargamento aos comboios urbanos permite poupar até 480 euros por ano
Uma das alterações que poderá ajudar a explicar o aumento da procura aconteceu no final de setembro, quando o Passe Ferroviário Verde passou a abranger também os serviços urbanos da CP em Lisboa e no Porto.
A mudança permite que passageiros que utilizam exclusivamente o comboio nas deslocações diárias possam substituir títulos de transporte mais caros por um único passe mensal de 20 euros.
O Ministério dá como exemplo o caso de uma pessoa que resida em Monte Abraão, no concelho de Sintra, e trabalhe na zona de Entrecampos, em Lisboa. Antes do alargamento, teria de optar entre o passe Navegante, no valor de 40 euros, ou um passe da CP, que custava 32,35 euros. Com as novas condições, pode passar a pagar 20 euros por mês.
A diferença permite uma poupança anual de até 240 euros. O mesmo título pode ainda ser utilizado para viagens de lazer noutras linhas da CP durante os fins de semana.
No caso dos passageiros que vivem fora das áreas metropolitanas, a redução da despesa pode ser ainda maior. O Governo apresenta o exemplo de um trabalhador residente em Aveiro que se desloca diariamente para o centro do Porto.
Antes da alteração, este passageiro pagava 40 euros pelo Andante e outros 20 euros pelo Passe Ferroviário Verde, num total de 60 euros mensais. Com o alargamento aos comboios urbanos, pode concentrar as deslocações num único título de 20 euros, poupando até 480 euros por ano.
Jovens representam quase metade dos utilizadores
Os dados divulgados pelo Ministério mostram também uma forte concentração da utilização nas faixas etárias mais jovens.
Os passageiros entre os 21 e os 30 anos representam 32% dos utilizadores, enquanto 15% têm até 20 anos. No conjunto, estas duas faixas etárias correspondem a 47% dos clientes do Passe Ferroviário Verde.
A utilização dos canais digitais também se destaca: mais de 85% das vendas são feitas através da aplicação móvel e da bilheteira online da CP. O número evidencia a importância dos meios digitais na adesão e no carregamento deste título de transporte.
Passe custa 20 euros e abrange várias linhas da CP
O Passe Ferroviário Verde foi lançado em outubro de 2024 e permite viajar por 20 euros mensais em várias linhas da CP, de norte a sul do país.
O título abrange os serviços regionais, inter-regionais e urbanos incluídos nas condições de utilização, mas não permite viajar em Alfa Pendular nem em Intercidades na primeira classe.
Com o alargamento aos serviços urbanos de Lisboa e do Porto, o passe passou a ter uma utilidade acrescida para quem combina deslocações pendulares com viagens entre diferentes regiões do país.
Em declarações divulgadas no comunicado, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou que os recordes de utilização demonstram a capacidade do transporte ferroviário para responder aos desafios da mobilidade e da descarbonização.
O governante reiterou ainda que o Executivo está a concretizar o maior investimento de sempre em comboios. "Reafirmo que estamos a fazer o maior investimento de sempre em comboios, uma aposta no presente e que ficará para futuro”, afirmou Pinto Luz.