Governo paga 35 mil euros por jantar de receção da Web Summit no Palácio da Ajuda. Cada convidado custa 295 euros

O encontro está marcado para esta segunda-feira, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, e deverá reunir 120 empresários e oradores da cimeira tecnológica. A despesa foi contratada pela Secretaria-Geral do Governo e inclui vários serviços, além do catering.
Governo paga 35 mil euros por jantar de receção da Web Summit no Palácio da Ajuda. Cada convidado custa 295 euros

A poucos dias da abertura de mais uma edição da Web Summit em Lisboa, o Governo prepara uma receção oficial para alguns dos participantes da conferência tecnológica. A iniciativa vai realizar-se esta segunda-feira, dia 9 de novembro, no Palácio Nacional da Ajuda, e tem um custo contratual de 35.415 euros, suportado por fundos públicos.

A informação é avançada pelo Correio da Manhã, que revela que a lista de convidados deverá incluir 120 empresários e oradores ligados ao evento. Dividido pelo número de participantes previsto, o montante corresponde a cerca de 295 euros por pessoa. O valor não representa, porém, apenas o custo individual da refeição: a verba destina-se à organização do evento e abrange um conjunto de serviços necessários à sua realização, como decoração, serviços audio-visuais, catering e receção de convidados.

A contratação foi feita pela Secretaria-Geral do Governo à empresa Velvetepisode, Lda. O contrato, com o objeto "Aquisição de serviços de organização de evento em representação oficial do Governo português", foi celebrado a 26 de outubro e publicado no Portal BASE no dia seguinte.

Governo fala em diplomacia económica

O Ministério da Economia e da Coesão Territorial enquadra o jantar na estratégia de aproximação a investidores e empreendedores internacionais que se deslocam a Lisboa por ocasião da Web Summit.

Segundo os esclarecimentos prestados pela tutela ao mesmo jornal, a iniciativa não se limita a uma receção protocolar. O Executivo considera que estes encontros permitem criar oportunidades de contacto entre responsáveis nacionais e figuras com influência no ecossistema empresarial e tecnológico.

O Ministério sustenta ainda que a realização de jantares deste género acompanha a presença da Web Summit em Portugal desde as primeiras edições da conferência. A iniciativa estará também enquadrada nos compromissos assumidos pelo país no âmbito da organização do evento.

A Secretaria-Geral do Governo explicou, por sua vez, que o montante contratado contempla diferentes componentes da produção, entre as quais catering, decoração, receção dos convidados, equipamentos audiovisuais e limpeza.

A empresa escolhida, a Velvetepisode, já tinha sido contratada para organizar iniciativas oficiais semelhantes em anos anteriores. A entidade pública justificou a escolha com o trabalho anteriormente desenvolvido com a mesma empresa.

Despesa aumentou face a edições anteriores

Os valores associados a estas receções têm vindo a subir. De acordo com os contratos identificados no Portal BASE e os dados divulgados pelo Correio da Manhã, a organização de um evento semelhante custou 14.722 euros em 2023, ano em que estavam previstos 220 participantes.

No ano seguinte, a despesa passou para 15.450 euros. Em 2025, atingiu os 33.630 euros, aproximando-se do valor agora contratado para 2026.

O contrato deste ano representa um aumento de cerca de 5,3% face ao valor de 2025. Em relação a 2023, a despesa é mais do dobro, apesar de o número de convidados previsto ser bastante inferior.

Web Summit começa esta segunda-feira em Lisboa

A edição de 2026 da Web Summit decorre entre 9 e 12 de novembro, na Feira Internacional de Lisboa (FIL) e na MEO Arena. A organização espera reunir empresários, investidores, fundadores de empresas, especialistas e representantes de diferentes setores da tecnologia.

O encontro tornou-se também uma oportunidade para Portugal promover a sua imagem junto de empresas e investidores estrangeiros. É esse potencial que o Governo invoca para justificar a realização de iniciativas institucionais associadas à conferência.

A presença da Web Summit no país envolve outros compromissos financeiros públicos. O acordo celebrado em 2018 entre o Estado, entidades públicas, o município de Lisboa e a organização da cimeira prevê compromissos financeiros que podem atingir os 80 milhões de euros, acrescidos de atualização a partir do segundo ano.

O jantar oficial desta segunda-feira acrescenta, assim, mais uma despesa à relação entre o Estado português e a conferência tecnológica. O Executivo defende o valor estratégico dos contactos com investidores e empreendedores internacionais. Já o custo da receção, sobretudo quando dividido pelo número de convidados, coloca a utilização de dinheiro público no centro da discussão.