segunda-feira, 02 nov. 2026

Ecco fecha fábrica em Santa Maria da Feira. 632 trabalhadores ficam sem emprego

O encerramento total da unidade portuguesa da multinacional de calçado Ecco vai deixar 632 pessoas no desemprego. Os operários foram informados esta manhã da decisão, justificada pela marca dinamarquesa com uma reestruturação global. O fecho desta fábrica será progressivo até ao início de 2027
Ecco fecha fábrica em Santa Maria da Feira. 632 trabalhadores ficam sem emprego

O encerramento da unidade portuguesa da multinacional de calçado Ecco, a operar em Santa Maria da Feira, vai deixar 632 pessoas no desemprego, revelaram esta segunda-feira operários à saída dessas instalações.

O encerramento da fábrica foi revelado a grande parte dos funcionários dos 22 departamentos desta unidade durante uma reunião realizada esta manhã, já com a produção suspensa. 

O fecho, segundo os trabalhadores, será progressivo, sendo que a secção de amostras ficará a funcionar mais duas semanas e depois só alguns operários serão requisitados para agilizar procedimentos necessários ao esvaziamento integral da fábrica, o que deverá acontecer “no primeiro trimestre de 2027”, mesmo que o edifício só seja vendido depois.

A previsão é de Fernanda Moreira, presidente do Sindicato Nacional do Calçado, Malas e Afins, que disse que os trabalhadores entretanto dispensados “já ficam em casa, mas sem perda de salário", até que recebam a documentação formal para acesso ao subsídio de desemprego.

Como indemnização, cada funcionário terá depois direito a um salário por cada ano de serviço, o que o sindicato reconhece como acima do previsto na lei.

Contactada pela agência Lusa, a administração da Ecco Portugal não revelou qual o seu volume de negócios em 2025, mas atribuiu o encerramento “total e definitivo” a uma “reestruturação mais ampla da estrutura produtiva global da Ecco”.

“Esta é uma decisão particularmente difícil para a empresa, tendo em conta a consciência do impacto que terá nos trabalhadores, nas suas famílias e na comunidade local”, afirma a administração da fábrica portuguesa em comunicado.

A reestruturação internacional também irá envolver o fecho da unidade que a Ecco tem no Vietname e está ainda a equacionar “uma redução de cerca de 400 postos de trabalho nas funções regionais e globais do Grupo, incluindo na Dinamarca”, adiantou.

O objetivo, justifica a empresa, “é adaptar a estrutura e capacidade produtivas do Grupo às necessidades atuais e previstas do negócio”.

Para o sindicalista Fernanda Moreira, a situação é “terrível” e o comportamento da Ecco demonstra que as suas chefias “não têm humanidade nenhuma" e "tratam as pessoas como números", até porque, recebida de surpresa, a notícia do encerramento é ainda mais “cruel”.

Manuel Couto é um dos funcionários que, hoje, à saída da fábrica, admitia não estar preparado para a notícia. Com 14 anos de serviço na casa, confessou: "Quando nos avisaram da reunião, estava a contar com uma redução grande de pessoal, como eles fizeram várias vezes ao longo dos anos, mas por isto não esperava".

Citado no comunicado da empresa, o diretor-geral da Ecco Portugal, Gustavo Kremer, reconhece que “este é um dia muito triste para todos” e inclui-se nesse universo.

“Durante mais de 40 anos, os trabalhadores em Portugal foram uma parte importante da família Ecco e contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento e o sucesso da marca. Esta decisão não é um reflexo do seu trabalho nem da qualidade do que aqui se faz. Estaremos sempre gratos por esse contributo”, realçou.

Referindo que agora “a prioridade é apoiar cada um dos trabalhadores neste momento tão difícil”, Gustavo Kremer adianta que a empresa irá iniciar o processo legal de encerramento “em diálogo” com os representantes dos trabalhadores e todas as entidades competentes – inclusive a autarquia, com a qual a marca se diz disposta a “colaborar no apoio aos funcionários”.

“Em paralelo, a empresa garantirá o pagamento das compensações e o cumprimento das demais obrigações laborais, estando a avaliar outras medidas para apoiar os trabalhadores durante a transição e na procura de novas oportunidades de emprego”, acrescenta o comunicado.