Greve na Função Pública marcada para novembro. Sindicatos escolhem data estratégica para pressionar Governo

A Frente Comum anunciou uma paralisação nacional dos trabalhadores da administração pública, numa altura decisiva para o Orçamento do Estado para 2027. Os sindicatos exigem negociações e explicam por que razão escolheram esta data.
Greve na Função Pública marcada para novembro. Sindicatos escolhem data estratégica para pressionar Governo

A Frente Comum convocou esta terça-feira uma greve nacional da administração pública para 20 de novembro, quatro dias antes da votação final global do Orçamento do Estado para 2027, agendada para 24 de novembro.

A decisão foi tomada durante um plenário de sindicatos realizado em frente à Assembleia da República, em Lisboa, e surge num contexto de contestação às propostas do Governo para os trabalhadores do setor público.

"Reafirmando que não aceitam o empobrecimento, a desvalorização profissional nem a destruição dos serviços públicos, o plenário de sindicatos da Frente Comum delibera avançar com uma greve geral dos trabalhadores da administração pública, no dia 20 de novembro", lê-se na resolução aprovada.

Porquê 20 de novembro? Sindicatos explicam escolha da data

O coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, explicou que a escolha do dia 20 de novembro foi estratégica, por "permitir não ter uma greve de protesto, mas uma greve que pode ter consequências".

Em declarações aos jornalistas, o dirigente sindical afirmou que está em causa "lutar contra um orçamento que destrói a administração pública" e que está "longe do interesse das populações".

"Neste sentido, não nos vemos com outra hipótese, que não seja fazer tudo o que estiver ao nosso alcançar para que este orçamento não passe", declarou.

Frente Comum exige negociação de 83 propostas

Entre as principais reivindicações estão a negociação da Proposta Reivindicativa Comum para 2027, a melhoria das condições de vida e de trabalho e a defesa dos serviços públicos.

A estrutura sindical exige que o Executivo abra negociações sobre as 83 propostas apresentadas a 30 de setembro.

Questionado sobre o que poderia levar à desconvocação da paralisação, Sebastião Santana respondeu que é necessário que o "Governo se sente à mesa, que pegue nas 83 propostas que entregamos no dia 30 de setembro e esteja disposto a negociar, que é tudo o que não fez".

O coordenador da Frente Comum criticou ainda a postura do Executivo perante os protestos.

"Este governo, pelos vistos, tem medo de quem se manifesta de todas as maneiras", afirmou, acrescentando que não espera que o anúncio da greve tenha influência na marcação de reuniões.