Relacionados
Se ouviu falar da chegada da "depressão Bruna" a Portugal, importa esclarecer: o nome não corresponde a qualquer tempestade oficialmente identificada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O organismo, em declarações ao Correio da Manhã (CM), veio desfazer a confusão esta quinta-feira, depois de várias notícias terem associado essa designação ao agravamento das condições meteorológicas previsto para os próximos dias.
"O que existe é uma depressão formada no atlântico que não tem nome, que deverá evoluir para vários núcleos e um deles poderá ser nomeado como depressão Bruna", afirmou a meteorologista Alexandra Fonseca ao CM.
A ausência de um nome oficial não significa, contudo, que o estado do tempo vá permanecer estável. O IPMA prevê uma alteração das condições meteorológicas a partir de sexta-feira, com precipitação e períodos de maior instabilidade.
Porque é que a depressão não se chama "Bruna"?
A atribuição de nomes a tempestades não acontece sempre que é prevista chuva intensa ou a aproximação de uma região depressionária. O processo segue critérios definidos pelos serviços meteorológicos europeus, que trabalham em grupos regionais e coordenam a identificação dos sistemas com potencial para provocar impactos significativos.
No caso do grupo do sudoeste europeu, do qual Portugal faz parte, a nomeação é articulada entre o IPMA, o serviço meteorológico espanhol (AEMET), o francês (Météo-France), o belga (RMI) e o luxemburguês (MeteoLux).
De acordo com os critérios divulgados pelo IPMA, a atribuição de um nome está associada à previsão de vento suficientemente forte para justificar a emissão de avisos meteorológicos de nível laranja ou vermelho. O primeiro serviço meteorológico a emitir esse aviso para a tempestade atribui-lhe um nome, que é depois mantido pelos restantes países envolvidos.
Por isso, podem existir sistemas depressionários que provoquem chuva, trovoada ou agitação marítima sem receberem uma designação oficial.
O que está previsto para Portugal nos próximos dias?
Apesar de não confirmar a existência de uma "depressão Bruna", o IPMA alerta para uma mudança do estado do tempo. Uma vasta região depressionária deverá estabelecer-se junto ao arquipélago dos Açores e deslocar-se lentamente para leste, transportando ar húmido e instável em direção à Madeira e, posteriormente, ao continente.
Em Portugal continental, a previsão aponta para céu geralmente muito nublado e períodos de chuva ou aguaceiros a partir de sexta-feira. A precipitação poderá ser acompanhada de trovoada em alguns locais.
A instabilidade deverá prolongar-se durante o fim de semana. A partir de domingo, o vento poderá soprar forte em determinados períodos, predominantemente do quadrante sul.