terça-feira, 03 nov. 2026

Cancro do pâncreas matou mais de duas mil pessoas em Portugal num ano: conheça os sinais de alerta

O cancro do pâncreas poderá tornar-se a segunda principal causa de morte por cancro até 2035. Em Portugal, provocou 2.051 mortes em 2024 e a sobrevivência global aos cinco anos é de apenas 13%, alerta o Clube Português do Pâncreas
Cancro do pâncreas matou mais de duas mil pessoas em Portugal num ano: conheça os sinais de alerta

O cancro do pâncreas poderá tornar-se, até 2035, a segunda principal causa de morte por cancro em Portugal e no mundo. O alerta foi deixado esta terça-feira pela presidente do Clube Português do Pâncreas (CPP), Alexandra Fernandes, que chama a atenção para a agressividade da doença e para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Em Portugal, foram diagnosticados 2.191 novos casos em 2024 e registadas 2.051 mortes, números que colocam este tumor como o sexto mais fatal no país.

«É importante que as pessoas reconheçam os fatores de risco associados» à doença, sublinha a médica gastrenterologista, citada em comunicado.

Os dados revelados pela especialista mostram a dimensão do desafio: a taxa de sobrevivência global aos cinco anos é de apenas 13%. Quando o tumor é detetado precocemente, essa percentagem sobe para 44%, mas cai para 3% quando a doença já se disseminou.

Dor abdominal e perda de peso entre os sinais de alerta

O tipo mais comum de cancro do pâncreas é o adenocarcinoma ductal pancreático, responsável por mais de 90% dos casos. Trata-se de um tumor particularmente agressivo, cujos sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças digestivas.

Entre os sinais a que a população deve estar atenta estão:

Dor abdominal, que pode irradiar para as costas;

Perda de peso inexplicável;

Alterações digestivas, como indigestão, vómitos ou diarreia;

Aparecimento súbito ou agravamento da diabetes;

Icterícia, que provoca uma coloração amarelada da pele e dos olhos.

A presença destes sintomas não significa necessariamente que exista cancro do pâncreas, mas justifica uma avaliação médica, sobretudo quando são persistentes ou surgem sem explicação aparente.

Tabaco, obesidade e diabetes entre os fatores de risco

Além da idade e da predisposição genética, o Clube Português do Pâncreas identifica vários fatores de risco relacionados com o estilo de vida.

O tabagismo, a obesidade e o excesso de peso estão entre os principais fatores associados à doença. A diabetes e a pancreatite crónica são também apontadas, sendo esta última frequentemente relacionada com o consumo crónico de álcool e os hábitos tabágicos.

A alimentação pode igualmente ter influência, com o CPP a destacar dietas ricas em açúcares refinados, gorduras, carnes vermelhas e produtos processados.

Campanha nacional quer alertar para a deteção precoce

Para reforçar a sensibilização da população, o CPP vai lançar uma campanha nacional de consciencialização com o mote «O tempo de agir é agora».

A iniciativa decorrerá nas redes sociais e pretende alertar para a prevenção, os fatores de risco e a importância de reconhecer os sinais da doença. A campanha está associada ao Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, assinalado a 19 de novembro.

O Clube Português do Pâncreas é uma secção especializada da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, associação científica sem fins lucrativos e de utilidade pública que promove o desenvolvimento da saúde digestiva desde 1989.