terça-feira, 03 nov. 2026

Ataques a escolas e mesquitas simulados em videojogos. PJ deteta conteúdos extremistas para recrutar jovens

Uma operação internacional identificou mais de nove mil ligações para conteúdos extremistas e terroristas. Em Portugal, a PJ sinalizou 54 endereços, incluindo recriações de atentados em videojogos e conteúdos que glorificam terroristas.
Ataques a escolas e mesquitas simulados em videojogos. PJ deteta conteúdos extremistas para recrutar jovens

A Polícia Judiciária (PJ) identificou 54 endereços eletrónicos associados a conteúdos extremistas e terroristas difundidos em plataformas digitais, incluindo videojogos populares entre os mais jovens. Entre os materiais sinalizados encontram-se simulações de ataques a escolas e a uma mesquita, recriações de atentados terroristas e conteúdos que glorificam os seus autores.

A identificação ocorreu no âmbito de uma operação internacional coordenada pela Europol, que envolveu autoridades e parceiros de 16 países e permitiu sinalizar mais de nove mil ligações para conteúdos de extremismo violento e terrorismo.

A ação contou com a participação da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ e incidiu sobre conteúdos utilizados para disseminar propaganda extremista e recrutar novos membros e simpatizantes, incluindo jovens e menores.

Ataques simulados em videojogos e comunidades extremistas

Em Portugal, os investigadores identificaram 54 URL, posteriormente carregados na plataforma PERCI e sinalizados junto dos prestadores de serviços online.

Segundo a PJ, grande parte dos conteúdos estava associada à chamada True Crime Community (TCC), incluindo simulações de ataques terroristas a escolas e a uma mesquita em ambientes de jogo.

Foram também detetados materiais que glorificam autores de atentados, bem como mapas descarregáveis para o videojogo de realidade virtual Bonelab, concebidos para recriar cenários de ataques.

A investigação identificou ainda avatares com temática islamista militante na plataforma Roblox e um convite divulgado através do Discord que promovia a transferência de utilizadores do TikTok para uma comunidade dedicada.

Mais de nove mil ligações identificadas em 47 plataformas

A operação internacional permitiu sinalizar conteúdos associados a diferentes formas de extremismo violento e terrorismo, nomeadamente de inspiração jihadista, de extrema-direita, de extrema-esquerda e anarquista.

No total, o material encontrava-se distribuído por 47 plataformas de redes sociais e jogos online.

De acordo com a Polícia Judiciária, algumas destas comunidades reproduzem estruturas, símbolos e narrativas de organizações terroristas dentro dos videojogos.

As atividades podem passar pela representação de membros de grupos terroristas ou pela recriação de acontecimentos relacionados com essas organizações.

A PJ alerta que estas práticas podem evoluir para ações coordenadas de produção e divulgação de propaganda, bem como para o recrutamento de novos membros e simpatizantes.

A introdução de ideologias extremistas em experiências interativas de jogo constitui, segundo a polícia, um fator que pode contribuir para processos de radicalização, particularmente entre os mais jovens.

PJ já tinha lançado campanha sobre radicalização de crianças e jovens

A operação integra os esforços da União Europeia para combater a utilização de plataformas de jogos online na disseminação de propaganda terrorista e extremista.

Em Portugal, a Polícia Judiciária lançou, em janeiro deste ano, a campanha "Hate online, Kills offline", dedicada à radicalização de crianças e jovens através da Internet.

A iniciativa pretende sensibilizar para os riscos associados à exposição a conteúdos extremistas e promover uma resposta conjunta das autoridades e da sociedade civil.

Para a PJ, o combate à radicalização online exige uma abordagem integrada, envolvendo diferentes estruturas do Estado e a sociedade, com o objetivo de promover o reconhecimento do problema e uma mudança de comportamentos no ambiente digital.

Veja aqui o vídeo da PJ