Morreu Michael Sanft, o advogado de defesa no caso do homicídio de Tupac Shakur

O advogado foi encontrado morto em Las Vegas, poucos dias após submeter o recurso contra a condenação de Duane Davis. O cliente havia sido sentenciado a uma pena de 40 anos a prisão perpétua pelo seu papel no homicídio do rapper, em 1996. A causa da morte permanece por determinar.
Morreu Michael Sanft, o advogado de defesa no caso do homicídio de Tupac Shakur

Michael Sanft, o advogado que defendeu Duane "Keffe D" Davis no julgamento pelo homicídio de Tupac Shakur, foi encontrado morto em Las Vegas, no estado norte-americano do Nevada. Tinha 55 anos.

A morte foi confirmada pelo gabinete do médico-legista do condado de Clark, que indicou que a causa e as circunstâncias do óbito permanecem por apurar. O corpo do advogado foi encontrado na manhã desta sexta-feira, na sua residência, segundo informações avançadas pelo Las Vegas Review-Journal, que cita um amigo de Sanft.

A polícia não considera, para já, que a morte tenha circunstâncias suspeitas, de acordo com o mesmo jornal.

A notícia surge numa altura particularmente importante para o processo judicial de Duane Davis. O advogado tinha apresentado, a 30 de outubro, um recurso contra a condenação do seu cliente, que recebeu uma pena de 40 anos até prisão perpétua pelo seu envolvimento na morte do artista.

Tinha acabado de recorrer da condenação de "Keffe D"

Sanft foi uma das figuras centrais da defesa de Davis, o único homem acusado formalmente pelo homicídio de Tupac Shakur. O rapper foi morto a tiro em Las Vegas, em setembro de 1996, num crime que permaneceu sem condenações durante quase trinta anos.

Em agosto deste ano, um júri considerou Davis culpado de homicídio em primeiro grau com utilização de uma arma de fogo. A sentença foi conhecida a 13 de outubro: 40 anos até prisão perpétua.

O advogado tinha anunciado que iria contestar o veredicto e chegou a criticar a forma como o julgamento decorreu. Entre os argumentos da defesa estavam declarações antigas de Davis, prestadas à polícia, e a inclusão de elementos que, na perspetiva de Sanft, poderiam ter prejudicado a imparcialidade dos jurados.

Depois da sentença, o advogado afirmou à estação FOX5 que tinha discutido com o cliente os passos seguintes do processo. Disse também que Davis encarava a condenação como apenas a primeira fase da batalha judicial.

A apresentação do aviso de recurso, a 30 de outubro, formalizou a intenção de contestar a decisão do tribunal. A morte de Sanft deixa agora por esclarecer quem irá assumir a representação de Davis nesta fase do processo.

Um advogado com mais de 150 julgamentos

Michael Sanft era advogado em Las Vegas e trabalhava como principal advogado de julgamento no escritório SOS Injury Lawyers. Segundo a biografia profissional divulgada pela firma, tinha participado em mais de 150 processos que chegaram a julgamento com júri.

Ao longo da carreira, representou vários clientes em processos de grande visibilidade. Entre eles esteve Michele Fiore, antiga vereadora de Las Vegas e antiga juíza no Nevada, condenada num processo federal por fraude eletrónica relacionado com a utilização de donativos destinados a homenagear um agente policial.

O que aconteceu na noite em que Tupac Shakur foi baleado?

Tupac Shakur foi atingido por vários disparos na noite de 7 de setembro de 1996, quando seguia num automóvel conduzido por Marion "Suge" Knight, fundador da editora Death Row Records.

O veículo em que viajavam foi abordado por um Cadillac branco, numa interseção em Las Vegas, de onde foram disparados vários tiros. O rapper foi atingido quatro vezes e morreu seis dias depois, a 13 de setembro, aos 25 anos. Knight sobreviveu ao ataque.

A investigação permaneceu durante anos sem conseguir levar alguém a julgamento. O caso ganhou novo impulso em 2023, quando Duane Davis foi detido. O antigo membro dos South Side Compton Crips tinha falado publicamente sobre o ataque e descrito o seu alegado envolvimento em entrevistas e num livro de memórias publicado em 2019.

A acusação sustentou que Davis organizou o ataque, na sequência de uma agressão ao seu sobrinho, Orlando Anderson, por parte de Tupac e de pessoas que o acompanhavam, horas antes do tiroteio. Os procuradores defenderam que Davis coordenou a ação e forneceu a arma aos ocupantes do Cadillac. Não ficou, contudo, estabelecido no julgamento quem foi o autor dos disparos fatais.