quinta-feira, 05 nov. 2026

Jogo de futebol no Brasil supera recorde mundial. Árbitro dá 51 cartões vermelhos e recebe ameaças: "Vocês não vão sair daqui hoje"

O anterior máximo era de 36 expulsões, num encontro disputado na quinta divisão argentina em 2011. A nova marca ainda não foi reconhecida oficialmente pelo Guinness.
Jogo de futebol no Brasil supera recorde mundial. Árbitro dá 51 cartões vermelhos e recebe ameaças: "Vocês não vão sair daqui hoje"

Uma partida das meias-finais da segunda divisão do Campeonato Mineiro sub-20, no Brasil, ficou marcada por um confronto generalizada que levou à expulsão de 51 pessoas. O número ultrapassa o anterior máximo mundial, de 36 cartões vermelhos, registado num encontro da quinta divisão argentina, em 2011.

O episódio aconteceu no domingo, 1 de novembro, no Estádio Parque do Sabiá, durante o confronto entre Uberlândia e Mamoré. Apesar de a equipa visitante ter vencido por 3-1, o resultado acabou por ficar em segundo plano perante a dimensão dos incidentes, que tiveram repercussão internacional.

A confusão começou já nos descontos da segunda parte, aos 54 minutos, depois de JV marcar o terceiro golo do Mamoré. Durante os festejos, Davi dirigiu gestos provocatórios ao banco adversário e insultou elementos do Uberlândia, segundo o relatado pela Globo. A situação rapidamente se descontrolou e deu origem a confrontos entre jogadores das duas equipas.

De acordo com o relatório do árbitro Fernando Patrick, 48 jogadores foram expulsos diretamente por agressões, nomeadamente socos e pontapés. Como não conseguiu concretizar as expulsões com o jogo ainda a decorrer, o juiz deu a partida por terminada e registou posteriormente as sanções na ficha do encontro. No total, foram 22 jogadores do Uberlândia e 29 do Mamoré a receber cartão vermelho.

Os restantes três vermelhos resultaram de episódios anteriores à rixa. Luike, do Uberlândia, viu o segundo amarelo por atingir um adversário com o braço na zona abdominal, fora da disputa da bola. João Henrique, do Mamoré, foi expulso também por acumulação de amarelos, depois de insultar o árbitro. Já Netinho, do Uberlândia, recebeu vermelho direto por dar um soco na zona abdominal do guarda-redes adversário.

Mais expulsões do que nos anteriores recordes

Até este encontro, o maior número de expulsões registado numa partida no Brasil pertencia à final do Campeonato Mineiro de 2026, entre Cruzeiro e Atlético Mineiro. A partida, que terminou com a conquista do título pela equipa do Cruzeiro, ficou marcada por uma luta generalizada e 23 cartões vermelhos.

A nível internacional, a referência era um jogo disputado em 2011, na quinta divisão argentina, entre o Atlético Claypole e o Victoriano Arenas. O árbitro Damián Rubino expulsou os 36 jogadores das duas equipas — os 11 titulares e os sete suplentes de cada lado — depois de uma série de confrontos dentro de campo.

As 51 expulsões no encontro entre Uberlândia e Mamoré ultrapassam, assim, os dois registos. No entanto, a nova marca ainda não foi oficialmente reconhecida pelo Guinness Book, o livro dos recordes.

Árbitro relata ameaças e invasão do relvado

O relatório de Fernando Patrick descreve ainda outros episódios de tensão que ocorreram antes da rixa entre jogadores. Aos oito minutos da segunda parte, depois da expulsão de Luike, dirigentes do Uberlândia terão entrado no relvado e dirigido ameaças à equipa de arbitragem.

Entre os envolvidos, segundo o árbitro, estavam Fábio Mineiro, Willer Francisco Silva, gerente de futebol, André Luiz Nascimento, responsável pelo futebol de formação, e Junior Caetano, coordenador da mesma área.

O relatório atribui a elementos da direção do clube ameaças como "vocês não vão sair daqui hoje" e "vamos pegar vocês". Fábio Mineiro terá também avisado o árbitro de que faria tudo para impedir que voltasse a trabalhar: "Você nunca mais vai apitar. Eu vou fazer de tudo para que você não trabalhe mais".

Já Willer Francisco Silva terá ameaçado agredir fisicamente Fernando Patrick, dizendo: "Vou te socar, você não vai sair daqui". O árbitro afirmou ter apresentado uma participação policial contra o dirigente, na sequência das ameaças e insultos.

O documento inclui ainda uma ocorrência relativa ao estado do balneário utilizado pelo Mamoré. Bernardo Lage, diretor de futebol do Uberlândia, terá informado a equipa de arbitragem de que o espaço tinha sido danificado pela própria equipa visitante. Estava prevista a apresentação de uma participação policial para registar os estragos.