quinta-feira, 05 nov. 2026

Duarte Lima remete-se ao silêncio no primeiro dia de julgamento. Tribunal não sabe se testemunha está viva

O antigo deputado do PSD recusou prestar declarações no processo em que é acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro. Uma das testemunhas previstas para a primeira sessão não foi localizada e o tribunal desconhece se ainda está viva.
Duarte Lima remete-se ao silêncio no primeiro dia de julgamento. Tribunal não sabe se testemunha está viva

Duarte Lima optou por não prestar declarações no primeiro dia do julgamento pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, ocorrido em 2009, no Brasil. A sessão, realizada esta quinta-feira no Tribunal de Sintra, ficou também marcada pela ausência de uma testemunha cujo paradeiro continua desconhecido.

"Por ora, e por conselho do meu advogado, não presto declarações", afirmou o antigo líder parlamentar do PSD.

O tribunal pretendia ouvir Rosemary Espinola, amiga próxima de Rosalina Ribeiro e uma das primeiras pessoas a alertar para o seu desaparecimento, mas não conseguiu localizá-la.

"Para já, não temos notícia de que esteja viva", revelou o juiz Carlos Camacho, que preside ao coletivo, reconhecendo dificuldades nos contactos com as autoridades brasileiras.

O magistrado admitiu ainda que, caso a testemunha esteja viva, será necessário avaliar a sua capacidade para prestar depoimento.

Defesa fala em processo já julgado na praça pública

Na intervenção inicial, o advogado de Duarte Lima, João Barroso Neto, criticou a exposição mediática do caso.

"Este é um processo que chega a julgamento já julgado - não pelo tribunal, mas pela praça pública", afirmou, acrescentando que "ao arguido não cabe provar nada, não cabe provar que não esteve em determinado lugar, em determinada hora".

O defensor classificou ainda a acusação como "tudo pura ficção".

Crime remonta a 2009

Rosalina Ribeiro, viúva do empresário Tomé Feteira, foi morta com dois tiros em dezembro de 2009, no Brasil.

O Ministério Público sustenta que o homicídio estará relacionado com uma transferência de 5,2 milhões de euros para uma conta de Duarte Lima. Segundo a acusação, o antigo deputado terá matado Rosalina Ribeiro depois de esta se recusar a assinar um documento que reconhecesse que o dinheiro lhe pertencia.

Duarte Lima tem defendido que o montante correspondia a honorários por serviços prestados.

O julgamento, inicialmente previsto para novembro de 2022, sofreu vários adiamentos devido a dificuldades na notificação de testemunhas no Brasil e à falta de gravações.