sexta-feira, 12 jun. 2026

"Um filho não se desamarra sem lágrimas". Ljubomir Stanisic deixa o 100 Maneiras após 17 anos

O chef anunciou a saída do grupo de restaurantes que fundou em Lisboa numa carta que mistura orgulho, saudade e a promessa de novos começos. Os três espaços passaram para um grupo com presença em todo o mundo.
"Um filho não se desamarra sem lágrimas". Ljubomir Stanisic deixa o 100 Maneiras após 17 anos

Ljubomir Stanisic vendeu o grupo 100 Maneiras a uma empresa internacional com mais de cem restaurantes espalhados pelo mundo, entre os quais o Las Ficheras, em Lisboa. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo próprio chef, numa carta em que descreve a transacção como o fim de um ciclo de 17 anos em Lisboa.

O 100 Maneiras, o Bistro 100 Maneiras e o Carnal Gastrobar mudaram assim de proprietários. Para Stanisic, a despedida tem um peso particular: "O 100 Maneiras foi, antes de mais, o meu primeiro filho, o primeiro projecto que abri em nome próprio em Portugal, em Cascais, quando tinha apenas 26 anos e mal dominava a língua portuguesa".

Na mensagem que divulgou, o chef não esconde a emoção, mas rejeita o tom de derrota. "Temos lágrimas, claro. Porque um filho não se desamarra sem elas. Mas temos sobretudo orgulho no que construímos", escreveu Stanisic, que recorreu a uma citação do escritor Richard Bach para enquadrar a mudança: "O que a lagarta chama de fim do mundo, o mestre chama de borboleta".

A carta, dirigida à equipa, aos clientes, aos parceiros e à imprensa, apresenta o 100 Maneiras como algo que sempre foi maior do que os próprios restaurantes. "O 100 Maneiras é gente", afirmou o chef, sem revelar o valor da transacção nem os planos detalhados dos novos proprietários.

Stanisic deixou, ainda assim, pistas sobre o que vem a seguir. "Queremos construir mais e, se possível, melhor", escreveu, adiantando que os próximos projectos chegarão "noutras latitudes, de outras maneiras, com outros nomes". O chef revelou também um interesse crescente pelo mundo rural: "Estou cada vez mais encantado com a vida no campo, a desenvolver projectos de ligação directa à terra".