Sofia da Suécia. De modelo ousada a membro da família real

Recentemente a imprensa sueca partilhou alguns documentos onde é revelado que a princesa Sofia da Suécia surge nos ficheiros ligados à investigação do caso Epstein. No início dos anos 2000, a mesma encontrou-se com o criminoso sexual em várias ocasiões, facto que foi confirmado pela Casa Real sueca
Sofia da Suécia. De modelo ousada a membro da família real

Pela primeira vez, a princesa Sofia da Suécia, duquesa de Värmland, de 41 anos, não acompanhou a família real na cerimónia do Prémio Nobel da Paz, em Oslo. O evento ocorreu no passado dia 10 de dezembro e, segundo a revista Vanitis, a princesa não constou na lista de convidados da cerimónia na Noruega devido ao nascimento da sua filha. A bebé Ines nasceu em fevereiro, fruto do seu relacionamento com o marido, o príncipe Carl Philip. No entanto, é curioso perceber que a sua ausência aconteceu apenas um dia depois do palácio sueco ter confirmado que esta se encontrou com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein em «algumas ocasiões» antes de se casar com um membro da família real.

Na terça-feira, dia 9 de dezembro, o Dagens Nyheter publicou e-mails entre Epstein e a empresária sueca Barbro Ehnbom, descrita como mentora de Sofia e presente no seu casamento com o filho do Rei Carl XVI Gustaf da Suécia, em 2015. Escreve a mesma publicação que Ehnbom terá escrito um e-mail para Epstein em dezembro de 2005, acompanhado de uma fotografia da jovem Sofia: «Ela é Sofia, uma aspirante a atriz que acabou de chegar a Nova Iorque. É a rapariga de quem te falei antes de partir, e achei que gostarias de conhecê-la. Talvez possamos visitá-la antes de partires para o Natal?», interroga. Ao que o empresário respondeu: «Estou no Caribe. Ela quer vir passar aqui uns dias? Eu compro a passagem».

A publicação também divulgou um e-mail de 2006 do assistente de Epstein para Ehnbom: «O Jeffrey está curioso para saber o que realmente aconteceu com a Camilla. Você disse-lhe que ela tem uma passagem para Nova Iorque para quando quiser?». Ehnbom respondeu: «Acho que ele se refere a Sofia, a linda jovem de cabelos escuros que estava com a amiga Camilla», acrescentando que Epstein lhes ofereceu vagas numa escola de teatro, mas houve problemas com os vistos.

De acordo com a revista People, a Corte Real Sueca acabou por confirmar ao jornal sueco que a princesa «foi apresentada à pessoa em questão em algumas ocasiões por volta de 2005», antes de Epstein ser condenado por aliciamento de prostituição, inclusive com uma menor de idade, em 2008, e posteriormente enfrentar acusações federais de tráfico sexual em 2019. No entanto, segundo o tribunal, Sofia não aceitou o convite para se juntar a ele no Caribe. «A princesa não teve qualquer contacto com a pessoa em questão durante 20 anos», disse o tribunal ao jornal Dagens Nyheter. «Queremos esclarecer e deixar claro que isso aconteceu em contextos sociais, como num restaurante e na estreia de um filme», detalhou um segundo comunicado.

Por outro lado, Barbro Ehnbom garantiu que não teve qualquer papel na mediação entre os dois e que, se a princesa esteve presente em algum dos encontros, foi apenas como «uma jovem entre um grupo de mulheres profissionais, muitas delas empresárias de renome». «Nada disso é verdade, mas guardo isso para mim. Não há absolutamente nenhuma novidade», garantiu.

 Um passado ousado

 Não é segredo para ninguém que o passado de Sofia não se coaduna com o protocolo real. Segundo a revista britânica Tatler, a princesa nasceu em Danderyd, em 1984, mas cresceu na pequena vila de Älvdalen. Era uma das três filhas de uma mãe sueca, gerente de marketing, e de um pai dinamarquês-sueco, consultor financeiro. A agora princesa já referiu em diversas entrevistas que a sua infância – passada numa vila pequena, perto da natureza, onde toda a gente se conhecia –, a ajudou a manter os «pés bem assentes na terra», mesmo depois de ter começado a fazer parte da família real sueca.

Em 2005, mudou-se para Nova Iorque para estudar contabilidade e desenvolvimento de negócios no New York Institute of English and Business. Durante esse período, antes de se tornar modelo, trabalhou como instrutora de ioga, como empregada em bares, lojista e em várias fábricas. Aos 20 anos, a sua beleza natural – com os seus olhos azuis penetrantes e o seu cabelo longo escuro –, renderam-lhe um lugar como modelo na Slitz, uma revista masculina sueca que já não existe. Um dos ensaios fotográficos mais conhecidos que a teve como protagonista, mostra-a a usar apenas umas cuecas de biquíni enquanto segura uma cobra à volta da parte superior do corpo. Em 2004, os leitores elegeram-na como «Miss Slitz».

Segundo o mesmo site, o seu trabalho como modelo levou-a a ser convidada para o reality show sueco Paradise Hotel.  O programa juntava vários solteiros num hotel de luxo para formarem casais com o objetivo de permanecerem juntos até ao final. Assim, em 2005, Sofia viajou para Las Vegas, Nevada, para as filmagens e chegou à final antes de ser eliminada do programa.

Durante a juventude dedicou-se ainda ao trabalho voluntário na África do Sul, Senegal e Gana. Escreve o site The Royal News Organisation que, ao regressar à Suécia, Sofia matriculou-se na Universidade de Estocolmo, onde estudou ética global, ciências da infância e da juventude e comunicação infantil. Além disso, os seus estudos também se concentraram na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.

 Uma relação inapropriada?

 Acredita-se que Sofia conheceu Carl Philip num bar, em 2010, através de um amigo em comum. Recorde-se que o príncipe já não era herdeiro do trono — esse papel pertence à sua irmã, a princesa herdeira Victoria — o que lhe dava mais liberdade na vida pessoal. «Ele pareceu-me muito humilde», disse a princesa à Vogue sobre o que a atraiu inicialmente no jovem, na altura, com 31 anos. «Ele tinha aqueles olhos grandes, castanhos, muito, muito gentis», acrescentou. Nove meses depois, foi anunciado que o casal se tinha mudado para Djurgården, em Estocolmo, onde continuam a viver até hoje na Villa Solbacken.

De acordo com os jornais suecos, a notícia de que Carl Philip e Sofia viviam um romance causou um rebuliço na família real. A rainha Sílvia chegou mesmo a considerar o namoro completamente inapropriado. No entanto, parece que isso não foi o suficiente para pôr fim à relação. Sofia acabou por mudar de postura, apagou uma tatuagem que tinha na nuca e mostrou estar à altura do papel que viria a desempenhar, cativando toda a família. O casamento aconteceu na Capela Real do Palácio de Estocolmo no dia 13 de junho de 2015. Nessa ocasião, Sofia recebeu o título de Princesa da Suécia e também se tornou Duquesa de Värmland.

Pouco tempo antes de fazerem os votos, o casal foi entrevistado para o canal de televisão TV4. «O Carl Philip é também o meu melhor amigo. É a pessoa com quem mais falo, é muito inteligente e eu sinto-me segura com ele», disse a jovem. Ao que ele respondeu: «Sinto-me muito seguro, equilibrado e bem comigo próprio quando a Sofia está ao meu lado. E foi assim desde o início». O casal tem quatro filhos: o príncipe Alexander (nascido em 2016); o príncipe Gabriel (2017); o príncipe Julian (2021) e a princesa Ines.

Segundo o The Royal News Organisation, no mesmo ano em que o relacionamento foi confirmado, esta fundou o Project Playground com a sua amiga, Freda Vesterberg. A organização sem fins lucrativos «cria fé no futuro entre jovens na Suécia e na África, contribuindo para momentos de lazer significativos». Já no seio real o seu foco principal são as crianças, a prevenção do bullying online e o apoio a pessoas com dislexia.

Numa entrevista para a televisão sueca em 2018, quando questionada sobre o seu passado, a princesa disse: «Não me arrependo de nada. Todas essas experiências tornaram-me a pessoa que sou hoje».