terça-feira, 18 ago. 2026

Só há duas pessoas a viver nesta ilha há mais de 20 anos: tudo começou com uma pergunta feita por um médico

Sem lojas, sem restaurantes e sem uma única estrada, Male Srakane é uma das ilhas croatas mais isoladas do Adriático. Foi lá que Werner e Ana decidiram recomeçar a vida há mais de duas décadas, e nunca mais saíram. Veja o vídeo.
Só há duas pessoas a viver nesta ilha há mais de 20 anos: tudo começou com uma pergunta feita por um médico

Há mais de duas décadas que duas ilhas croatas no Adriático vivem, literalmente, ao ritmo de quem lá habita, e são pouquíssimas pessoas. Male Srakane tem apenas dois residentes fixos. A vizinha Vele Srakane, três.

Foi para Male Srakane que Werner e a mulher, Ana, se mudaram há 21 anos, motivados pela saúde do filho, que sofria de asma. A decisão nasceu de uma pergunta simples feita pelo médico da criança, sobre se preferiam levá-la para a montanha ou para o mar. Como o rapaz gostava de mergulhar, a escolha recaiu sobre a ilha, e nunca mais voltaram atrás. Em declarações ao meio croata Dalmacija Danas, o casal recorda uma ilha diferente da atual, com vinha, hortas e um quotidiano que já não existe.

Male Srakane não tem lojas, restaurantes nem uma única estrada asfaltada. Quem lá vive orienta-se antes pelos sinos da igreja local, que assinalam tanto a festividade de Nossa Senhora do Monte Carmelo como eventuais emergências que precisem de chegar aos moradores da ilha vizinha.

Já em Vele Srakane residem Igor e Blanka Rukavina, a par de um pescador submarino, Dubravko Balenovic. Para Igor, é a ausência de stress que compensa todo o resto. Depois de tantos anos habituado ao silêncio da ilha, admite que uma simples deslocação à cidade se transforma num assalto aos sentidos, entre ruído, multidões e buzinas.

Isolamento não significa, no entanto, viver desligado do mundo. Segundo os próprios moradores, ambas as ilhas dispõem de:

  • Eletricidade

  • Água corrente

  • Ligação à internet

O que falta é uma ligação física, por estrada ou ponte, ao continente ou às ilhas maiores, uma limitação que dizem contornar com boa vontade e entreajuda entre vizinhos.

O maior desafio de viver rodeado de natureza acaba por ser a seca, que obriga a repensar o que se planta. Em anos mais secos, cultivar melancias deixa de ser viável, e a escolha recai sobre hortícolas que pedem menos água, como tomate, pimento ou feijão-verde.

Mesmo assim, ninguém em Male ou em Vele Srakane trocaria esta rotina por outra. Descrevem a vida que construíram como um autêntico oásis de felicidade, bem longe do ritmo que deixaram para trás.