Em Portugal não fomos presenteados com eclipse de terça-feira, uma vez que foi apenas visível na Antártida - mas não desanime, porque é este eclipse que marca o início de um ciclo de eventos astronómicos inéditos (e que ninguém quer perder).
O que foi o eclipse solar "Anel de Fogo"
O eclipse solar acontece quando a Lua bloqueia a luz solar e a impede de chegar à Terra, resultado de um alinhamento natural entre os três astros.
Na passada terça-feira, a Lua posicionou-se entre o Sol e a Terra, mas não cobriu totalmente o Sol, daí a perceção de um "anel de fogo" criada pela luz que se deixa ver do Sol.
Este apenas foi totalmente visível na Antártida, sendo que África e América do Sul puderam apenas ser parcialmente presenteados com o fenómeno.
Mas Portugal está na lista dos países que vão poder assistir a mais fenómenos destes: em 2026, vamos poder ver quatro eclipses (dois solares e dois lunares - quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, projetando sombra na superfície lunar).
Calendários dos fenómenos
O primeiro será já em março - mas Portugal, volta a não estar contemplado. Entre os dias 2 e 3 de março, um eclipse lunar total vai ser visível no Leste da Europa, Ásia, Austrália e Américas.
Em agosto, esteja atento: a 12 de agosto, vai ser possível ver um eclipse solar total (apesar de apenas numa pequena área de Portugal). O fenómeno vai chegar também à Gronelândia, Islândia, Espanha e Rússia.
Este será o mais importante para a Península Ibérica: durante 26 segundos, o dia irá tornar-se noite. No entanto será apenas visto a nordeste, em Bragança.
“O último eclipse total do Sol observado em Portugal aconteceu em 1912 e o próximo será em 2144, tornando o Eclipse de 2026 num momento imperdível para várias gerações”, explica a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica num comunicado.
Será Espanha o país privilegiado que vai poder observar o fenómeno na totalidade em todas as suas regiões - está previsto para as 19h46 (18h46 em Lisboa), e poderá durar até dois minutos e 18 segundos.
O jornal espanhol El País divulgou que vão ser vários os turistas que vão chegar a Espanha para poderem assistir a este fenómeno. Todas as unidades hoteleiras em Tarragona, na Catalunha, estão esgotadas há meses para esta altura - por isso se estava a pensar viajar até ao país vizinho para ver o eclipse, deve apressar-se.
Por fim, entre 27 e 28 de agosto, outro eclipse lunar vai poder ser visto na Europa, Ásia ocidental, África e Américas.
Como ver um eclipse?
Esta é a verdadeira questão para poder efetivamente aproveitar os fenómenos que aí vêm.
A forma mais segura de observar o fenómeno será a projeção. Vai precisar de duas folhas de cartolina - uma branca e outra preta.
Pode usar a folha de cartolina preta e fazer-lhe um pequeno furo. A imagem vai passar pelo furo e vai ser projetada na cartolina branca, que deve estar relativamente afastada.
Outra alternativa são óculos com filtros solares - mas devem ser certificados internacionalmente. Verifique se têm a marca CE e se cumprem a norma europeia EN 169/1992.
Por fim, filtros de solda com tonalidade 14 ou superior oferecem proteção suficiente para poder observar estes fenómenos que nos visitam poucas vezes e durante poucos segundos.
O que não deve fazer e usar:
Nunca olhe diretamente para o eclipse, sem qualquer proteção ocular: pode provocar queimaduras na retina, impossíveis de reverter. Não deve também usar um binóculo, telescópio ou qualquer tipo de óculos que usa no dia a dia, como óculos de sol. Não use um vidro fumado, filtros polarizantes ou a película usada em câmeras analógicas - também não o vão proteger bem das radiações.
Todos estes objetos dão uma sensação falsa de proteção, já que, apesar de bloquear as luzes prejudiciais que são visíveis a olho humano, há raios invisíveis que podem lesionar de qualquer forma, como os raios infravermelho e ultravioleta.
Se quer aproveitar este ciclo de fenómenos inéditos, deve fazê-lo em segurança e informar-se sobre aquilo que vai ver - para poder desfrutar verdadeiramente do que vai presenciar.