Passar férias na lua? Vai ser possível em breve... por 360 mil euros por dia

A empresa já iniciou um programa de acesso antecipado para potenciais clientes: os interessados podem candidatar-se mediante o pagamento de uma taxa de inscrição e de um depósito elevado... no entanto, esta fase não garante automaticamente uma vaga.
Passar férias na lua? Vai ser possível em breve... por 360 mil euros por dia

Viajar até ao espaço deixou, nos últimos anos, de ser uma exclusividade dos astronautas. Com o crescimento do turismo espacial, impulsionado por empresas privadas, cidadãos com grande poder financeiro passaram a ter acesso a experiências fora da Terra, como a cantora Katy Perry ou o youtuber Coby Cotton. Agora, uma startup dos Estados Unidos pretende dar um passo mais ambicioso: construir um hotel de luxo na superfície lunar.

O projeto pertence à Galactic Resource Utilization Space, Inc. (GRU Space), empresa fundada em 2025, em São Francisco, pelo jovem Skyler Chan. A companhia tem como meta inaugurar o primeiro alojamento na Lua em 2032, com os primeiros testes previstos já para 2029.

Numa fase inicial, será enviada para o satélite uma estrutura insuflável desenvolvida na Terra, que será expandida após a aterragem. Esta primeira versão terá capacidade para receber até quatro pessoas por estadia, com preços diários estimados em cerca de 361 mil euros.

De acordo com a empresa, os hóspedes poderão permanecer até cinco noites e terão acesso a um sistema completo de suporte à vida, incluindo produção de oxigénio, controlo da temperatura, reciclagem de água e remoção de dióxido de carbono. Estão também previstos mecanismos de segurança para situações de emergência, como despressurização ou tempestades solares. Para as viagens até à Lua, a GRU Space planeia recorrer a veículos de transporte operados por empresas privadas já licenciadas, como a SpaceX e a Blue Origin.

Em paralelo, a startup prepara uma segunda versão do hotel, com maiores dimensões e capacidade para até 10 visitantes. Esta futura unidade deverá recorrer a materiais recolhidos diretamente na superfície lunar, numa estratégia conhecida como utilização de recursos in situ (prática de recolher, processar e utilizar materiais encontrados no local de destino). Segundo a empresa, essa abordagem permitirá reduzir custos e aumentar a durabilidade da estrutura.

O segundo hotel deverá ter um preço mais acessível, com diárias estimadas em cerca de 70 mil euros, e ficará parcialmente instalado em depressões naturais do terreno, o que ajudará a garantir maior proteção contra radiação e variações térmicas.

Antes da abertura oficial, a empresa irá realizar vários testes. Em 2029, será instalada uma versão experimental em escala reduzida, fabricada com os mesmos materiais da estrutura final. Em 2031, está prevista a implementação de um modelo mais robusto, destinado a preparar a operação comercial.

A localização do hotel será escolhida de forma a permitir vistas panorâmicas da superfície lunar e da Terra, além de possibilitar atividades desenvolvidas na superfície lunar em espaço aberto, mas sempre supervisionadas. A GRU Space estima que cada unidade possa permanecer em funcionamento durante pelo menos uma década antes de necessitar de grandes intervenções.

A empresa já iniciou um programa de acesso antecipado para potenciais clientes: os interessados podem candidatar-se mediante o pagamento de uma taxa de inscrição e de um depósito elevado, que poderá chegar a um milhão de dólares. No entanto, esta fase não garante automaticamente uma vaga.

O valor total da experiência, incluindo transporte e estadia, ainda não foi definido, mas a empresa admite que poderá ultrapassar os 10 milhões de dólares por pessoa.

A médio e longo prazo, a GRU Space pretende ir além do turismo lunar. Os planos incluem a criação de uma base permanente na Lua e, posteriormente, a expansão para Marte, com o objetivo de oferecer experiências semelhantes noutros pontos do sistema solar.