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Será que duas semanas de férias chegam para compensar um ano inteiro de trabalho intenso? A ciência sugere que não é bem assim. Um artigo da American Psychological Association resume o que várias investigações têm vindo a mostrar sobre pausas, descanso e desempenho.
Desligar da rotina importa mais do que a duração da viagem
Segundo uma revisão de Sabine Sonnentag, psicóloga organizacional da Universidade de Mannheim, publicada na Current Directions in Psychological Science, os trabalhadores que conseguem um maior distanciamento psicológico do trabalho fora do horário laboral reportam mais satisfação com a vida e menos sintomas de desgaste. E este afastamento mental não compromete o desempenho: segundo a mesma revisão, quem consegue desligar-se fora do trabalho não se mostra menos empenhado durante o horário laboral.
Nem todas as pausas são iguais
Um outro fator relevante é o que se faz durante o tempo livre. Um estudo de Emily Hunter e Cindy Wu, da Universidade de Baylor, publicado no Journal of Applied Psychology, acompanhou trabalhadores administrativos durante cinco dias e concluiu que:
Fazer pausas para atividades escolhidas e preferidas está associado a menos sintomas físicos, como dores de cabeça e tensão muscular
Este tipo de pausa está ligado a maior satisfação profissional e menor exaustão emocional
O momento da pausa também importa: as realizadas mais cedo no dia de trabalho geraram mais recuperação de recursos do que as feitas mais tarde
Seguidas ou repartidas ao longo do ano?
Um estudo de Charlotte Fritz e Sabine Sonnentag, publicado igualmente no Journal of Applied Psychology, acompanhou trabalhadores universitários antes e depois de irem de férias e encontrou melhorias reais no bem-estar e no desempenho após o descanso, mas também um efeito de desvanecimento: parte desses benefícios começa a esbater-se já nas duas semanas seguintes ao regresso. Este tipo de resultado reforça a ideia de que distribuir períodos de descanso ao longo do ano, e não apenas concentrar tudo numa única viagem longa, tende a sustentar o bem-estar de forma mais consistente.
O erro de encher a agenda
Esta investigação reforça uma ideia central: o verdadeiro descanso não depende de preencher os dias com o máximo de atividades possível, mas sim de conseguir desligar verdadeiramente da rotina, seja através de uma viagem longa, de um fim de semana tranquilo ou de pequenas pausas ao longo do ano.