terça-feira, 16 jun. 2026

O filho mais velho é mesmo o mais inteligente? A ciência tem uma resposta

Estudos científicos sugerem que a ordem de nascimento pode influenciar o quociente de inteligência e a personalidade, mas os especialistas alertam para um detalhe que muda tudo.
O filho mais velho é mesmo o mais inteligente? A ciência tem uma resposta

O debate existe em muitas famílias: será que o filho mais velho é mais inteligente do que os irmãos mais novos? A questão saiu da esfera doméstica e chegou aos laboratórios, com investigadores de universidades de referência a debruçarem-se sobre ela. As conclusões existem, mas vêm acompanhadas de ressalvas importantes.

Os primogénitos têm, em média, um QI mais alto?

Um estudo da Universidade de Oslo, publicado na revista científica Science, analisou os registos académicos de instrução militar de 240 mil homens noruegueses e chegou a uma conclusão que alimentou o debate: os filhos mais velhos apresentam, em média, um quociente de inteligência (QI) mais elevado.

Os números são estes:

  • Primogénitos: média de 103,2 de QI

  • Filhos do meio: média de 101,2 de QI

  • Filhos mais novos: média de 100 de QI

A diferença existe, mas os próprios autores do estudo, Petter Kristensen e Tor Bjerkedal, foram claros: não se trata de uma questão biológica. O que está em causa é a forma como cada filho é criado dentro da família.

A ordem de nascimento molda também a personalidade?

Além do QI, a ciência debruçou-se sobre outro ângulo: o impacto da ordem de nascimento no desenvolvimento da personalidade. Uma investigação liderada pelos professores Rodica Ioana Damian e Brent W. Roberts, da Universidade de Illinois, analisou os perfis de 377 mil estudantes do ensino secundário norte-americanos, com diferentes origens sociais e étnicas.

As conclusões, publicadas na plataforma ScienceDirect, apontam para tendências distintas consoante o lugar ocupado na fratria:

  • Filhos mais velhos tendem a ser extrovertidos, simpáticos e determinados. A responsabilidade que assumem dentro da família desenvolve neles uma maior predisposição para tomar iniciativa.

  • Filhos do meio assumem frequentemente o papel de mediadores entre os irmãos. A menor atenção que recebem pode torná-los mais independentes.

  • Filhos mais novos são geralmente descritos como despreocupados, curiosos e aventureiros, com menor apego às regras.

Mas há outros factores que também contam

A ordem de nascimento não é o único elemento a moldar quem somos. A psicóloga Diana Jiménez lembra que entram em jogo muitas outras variáveis: o tipo de cuidadores que a criança teve, o número de adultos de referência na infância, a diferença de idades entre irmãos ou até a importância atribuída ao género dentro de cada família.

"Influem muitíssimas coisas", sublinha a especialista, relativizando qualquer conclusão demasiado linear sobre o tema.