Há momentos que atravessam gerações. Em Portugal, passaram mais de cem anos desde a última vez que o Sol desapareceu completamente do céu durante um eclipse total. Agora, o fenómeno regressa. E quem o perder terá de esperar até 2144 para voltar a viver uma experiência semelhante.
No próximo dia 12 de agosto, durante breves segundos, a Lua ficará perfeitamente alinhada entre a Terra e o Sol, ocultando totalmente a estrela e fazendo com que o dia se transforme, por instantes, numa espécie de crepúsculo.
Segundo a comissão científica do Eclipse 2026, apenas o Parque Natural de Montesinho, onde se situa a aldeia de Guadramil, no distrito de Bragança, ficará totalmente inserido na faixa de totalidade, onde o Sol desaparecerá por completo durante cerca de 26 segundos, por volta das 19h30. No restante território continental, o eclipse será parcial, mas muito significativo, com mais de 90% do disco solar ocultado em muitas regiões.
Um fenómeno raro
Apesar de os eclipses solares acontecerem regularmente em diferentes pontos do planeta, é extremamente raro que a faixa de totalidade passe por Portugal continental. E é precisamente essa raridade que faz deste acontecimento um dos momentos científicos mais aguardados do ano.
Durante a fase de totalidade, será possível observar um dos fenómenos mais impressionantes da astronomia: a coroa solar, a camada exterior da atmosfera do Sol, normalmente invisível devido à intensidade da sua luz.
Ao mesmo tempo, a luminosidade diminuirá rapidamente, a temperatura poderá baixar alguns graus e muitos animais alterarão temporariamente o seu comportamento, reagindo como se a noite tivesse chegado.
Para além de Portugal, o eclipse será visível numa faixa que atravessa o Ártico, Gronelândia, Islândia e Espanha.
Milhares de pessoas já preparam a viagem
O fenómeno está também a despertar o interesse de astrónomos, fotógrafos e curiosos de vários países.
A organização do Eclipse 2026, coordenada pela Ciência Viva e por diversas instituições científicas, preparou dezenas de iniciativas para acompanhar o fenómeno, desde observações públicas a sessões de divulgação científica.
Espera-se igualmente um aumento significativo do turismo nas zonas onde será possível observar o eclipse total, à semelhança do que aconteceu noutros países que receberam fenómenos semelhantes nos últimos anos.
Segurança em primeiro lugar
Apesar do espetáculo, os especialistas alertam para um aspeto essencial: observar o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões permanentes na visão.
A observação deve ser feita apenas com óculos certificados para eclipses ou com equipamentos dotados de filtros próprios.
Óculos de sol comuns, películas fotográficas ou vidros escurecidos não oferecem qualquer proteção.
Um momento que ficará na memória
Embora a totalidade dure apenas cerca de 26 segundos em Portugal, muitos dos que já viveram um eclipse total descrevem-no como uma experiência difícil de esquecer.
O silêncio inesperado, a mudança brusca da luz e a possibilidade de observar diretamente a coroa solar transformam aqueles segundos num dos fenómenos naturais mais extraordinários que podem ser vistos a partir da Terra.
Para muitos portugueses, será uma oportunidade única de assistir a um espetáculo que, para a maioria das pessoas, acontece apenas uma vez na vida.