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O Whatsapp é uma rede social que faz parte do dia a dia da grande maioria das pessoas em todo o mundo: desde mensagens pessoas às profissionais, aos grupos do trabalho e com amigos.
Pode não ser a primeira vez que ouve alguém dizer que apenas acompanha as conversas porque não gosta de comunicar em grupos de Whatsapp - e a verdade é que a psicologia mostra que essas são as pessoas que mais preservam o autocuidado.
Na realidade, esta forma de não-comunicação pode remeter a uma teoria da comunicação antiga, que reflete precisamente a tendência para o silêncio das opiniões minoritárias.
Numa plataforma onde é muito fácil dar visibilidade a certas opiniões, a consequência é que quem está do outro lado não se sinta à vontade para usufruir do mesmo direito de dar o seu ponto de vista.
Isto não quer dizer que sejam pessoas desinteressadas, tímidas ou inibidas: simplesmente preferem preservar o seu bem-estar.
A psicologia analisa os vários tipos de pessoas que não respondem no Whatsapp. Está comprovado que responder rápido e de forma "adequada" é um fator cada vez maior de stresse: isso leva muitas pessoas a simplesmente evitar uma conversa via Whatsapp, mesmo que até exista interesse.
Mas não precisa de ser apenas um fator de stresse a determinar a intensidade (ou falta dela) numa conversa. Muitas pessoas preferem muito mais ouvir do que propriamente ser ativo num assunto e isso é transversal às mensagens. Nestes casos, o estar atento à conversa, mas manter a distância pode ser visto como uma forma de autocuidado, onde se apercebem de que não é necessário expressar cada pensamento e/ou reação.
Esta decisão limita a interação digital, protegento tempo, ansiedade e evita a sobrecarga de informação numa era de hiperconectividade, onde se recebe centenas de notificações por dia. Esta forma de estar também mostra menos necessidade de receber respostas imediatas e reconhecimento social por mensagens.
A revista académica da Universidade da Catalunha, Oksalud, destaca algumas orientações para lidar com pessoas que impõem limites digitais e que podem dificultar a comunicação à distância.
Evite interpretar o silêncio como falta de interesse.
Não pressione para responder a todas as mensagens.
Entenda que cada pessoa tem um estilo de comunicação diferente.
Se precisar de uma resposta importante, considere escrever uma mensagem privada ou fazer uma chamada.
Respeite os limites digitais de cada pessoa e a necessidade de se desconectar.
Não presuma que alguém está chateado ou distante por não participarem em conversas no Whatsapp.
Numa altura em que as notificações são constantes e existe uma pressão crescente para responder rapidamente a tudo e a todos, optar por ficar em silêncio nem sempre é um sinal de afastamento.
Afinal, estar presente numa conversa não significa necessariamente ter de participar nela: e talvez o verdadeiro desafio da era digital seja aprender a respeitar quem escolhe simplesmente ouvir.