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É comum associar uma casa impecável a alguém disciplinado e metódico, enquanto quem vive rodeado de roupa por arrumar ou loiça por lavar é rapidamente rotulado de preguiçoso ou desleixado. Esta ideia, no entanto, está longe de corresponder à realidade. O esforço ou o carácter têm pouco a ver com o assunto. O que está verdadeiramente em causa é o estado mental de cada pessoa.
Quando alguém se sente stressado ou sobrecarregado, limpar a casa pode transformar-se numa forma de recuperar controlo perante o caos. Reduzir o ritmo e arrumar tem um efeito calmante, que devolve uma sensação de ordem. Mas quando essa rotina é motivada pela ansiedade, pode estar, na verdade, a esconder outras emoções.
Não é preguiça, é stress
Um estudo conduzido junto de casais com duplo rendimento, publicado na PubMed, analisou a forma como os cônjuges descreviam as suas casas e cruzou essa informação com os respetivos níveis diários de cortisol, a hormona associada ao stress. As pessoas que descreviam a sua casa como desarrumada apresentaram padrões de cortisol mais irregulares ao longo do dia, um perfil associado a piores resultados de saúde, ao contrário de quem descrevia o lar como um espaço restaurador.
Esta diferença não tem origem na preguiça. Há várias condições que podem impedir o cérebro de acompanhar as exigências do quotidiano, entre elas:
Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA)
Depressão
Ansiedade
Stress crónico
Privação de sono
Uma casa desarrumada é, em muitos casos, sinal de alguém que está no limite das suas capacidades. Lavar a loiça passa, nessas alturas, para segundo plano.
Por outro lado, e de forma aparentemente contraditória, a desarrumação também pode resultar de padrões demasiado exigentes, e não do oposto. A ansiedade pode funcionar como uma voz interior que impede a pessoa de começar uma tarefa se não a conseguir fazer na perfeição. Junte-se a isso as dúvidas que esta condição costuma gerar, e o resultado é frequentemente uma espécie de paralisia perante as tarefas domésticas.