Eleito a 8 de maio de 2025, Leão XIV é o primeiro líder da Igreja Católica natural dos Estados Unidos da América. Nasceu a 14 de setembro de 1955 e cresceu numa pequena casa de um bairro nos arredores de Chicago. Calmo e ponderado, em pequeno já sabia as orações em latim e, em vez de brincar aos polícias e ladrões, punha-se a brincar aos padres. Os vizinhos diziam, talvez na brincadeira, que iria ser Papa.
Robert também fazia desporto – gostava especialmente de nadar. Mas o mais surpreendente é que sempre foi, e continua a ser, um grande fã da condução. Em jovem, como revela Elise Ann Allen em Leão XIV – A Biografia (ed. Alma dos Livros), de que a VERSA publica agora um excerto, chegou a querer ser camionista.
Ao terminar oensinobásico, Robert Prevost decidiu entrar num seminário menor da Ordem de Santo Agostinho, ou seja, uma instituição educacional destinada a formar jovens que demonstram interesse em tornarem-se sacerdotes, mas que ainda estão na etapa escolar. Assim, de 1969 a 1973, frequentou o ensino secundário no Seminário de Santo Agostinho, no Michigan. Aí, obteve uma carta de reconhecimento por excelência académica, esteve regularmente no quadro de honra, foi editor-chefe do anuário da sua turma, foi secretário do Conselho Estudantil e membro da Sociedade Nacional de Honra. Também foi capitão da equipa de bowling e dirigiu a equipa de oratória e debate, competindo em eventos nacionais. Das várias dezenas de estudantes que frequentam essa escola, ele foi um dos treze que se formaram e um dos poucos que por fim se dedicaram ao sacerdócio.
Para John Prevost, nunca houve outra opção para o seu irmão Rob além do sacerdócio; em vez disso, a dúvida era outra: «A que ordem pertenceria? Iria para uma escola jesuíta, franciscana, agostiniana? Ou seria um padre diocesano numa paróquia local? Essa era a única pergunta que passava pela cabeça das pessoas.» E, depois de pesquisar e receber a visita de vários padres em casa para conversarem com Robert, «escolheu os agostinianos. Acho que fez uma boa escolha».
Sobre a sua infância, as suas raízes e esse chamamento que sentiu para o sacerdócio, como por exemplo brincar à missa quando era pequeno e os vizinhos dizerem que seria o primeiro pontífice americano, o Papa Leão XIV, numa entrevista exclusiva para este livro, concedida em julho de 2025 na residência de verão do papa, em Castel Gandolfo, a uma hora de Roma, conta que, de facto, «é tudo verdade, mas é exagerado», que não se fala da sua paixão por conduzir nem das «vezes que quis ser camionista», como o seu vizinho do lado, que «às vezes chegava a casa com aqueles reboques enormes e coisas assim, e eu pensava: ‘Isso é genial’»:
"Toda a gente sabe que gosto de conduzir e já conduzi veículos de vários tipos e tamanhos, então também havia essa parte. Além disso, o meu pai era diretor de uma escola. O meu irmão queria ser professor, e eu dizia que queria ser diretor de uma escola. Houve momentos em que pensei em dedicar-me à política, estudar Direito, a possibilidade de Ciências Políticas e Direito. Houve diferentes momentos na minha vida em que isso me atraiu, provavelmente também em termos do sentido de uma vocação de serviço. Como qualquer criança que vai crescendo, pensei em muitas possibilidades, mas é verdade que, desde muito jovem, também tive esse pressentimento de que gostaria de ser padre. Os meus pais estavam muito envolvidos na paróquia local. Os sacerdotes vinham jantar regularmente, sacerdotes diocesanos, e, depois, quando os meus irmãos começaram a frequentar uma escola secundária agostiniana, comecei a conhecer os agostinianos. A ideia do sacerdócio também era algo de que eu estava muito consciente, e os comentários que foram feitos são verdadeiros."
Com as janelas abertas na Villa Barberini e o lago Albano como fundo, o papa lembra-se, de facto, da vizinha da sua rua, que lhe dizia: «Vais ser o primeiro papa americano.» E garante que não foi «algo pontual», embora não tenha a certeza do impacto que isso teve nele, pois só voltou à sua memória nestes dias após o conclave:
"Tinha-me esquecido de muitas dessas coisas até que tudo isto aconteceu e os meus irmãos mais velhos começaram a contar essas histórias que são mais ou menos verdadeiras. Mas a ideia da vocação, à medida que cresci e entrei na adolescência, esteve sem dúvida presente. Não foi como uma decisão única e na qual nunca mais voltei a pensar. Ou seja, houve momentos ao longo do caminho, como acho que acontece para a maioria dos seminaristas, em que a pessoa desanima ou embate contra um muro e pensa: «Isto não é para mim.» Houve uma altura em que eu queria ter uma família e pensei «Não preciso do celibato», e desejava seguir outro caminho na vida, mas aqui estou. Obviamente, a graça do Senhor e uma certa perseverança, que também é um presente do Senhor, trouxeram-me até aqui."