Não é um fenómeno novo, mas o TikTok, como típico fórum de tendências, reavivou esta que está a gerar polémica.
Durante muitos anos, estas pessoas agrupavam-se em fóruns quase invisíveis, sem grande manifestação. Isso mudou a partir de 2020, quando o algoritmo começou a amplificar vários vídeos de pessoas a fazer movimentos que imitam a locomoção de quadrúpedes, na maior parte das vezes com máscaras alusivas aos animas com que se identificam.
O que significa "therian"?
O termo "therian" ("therianthrope"), palavra grega que significa meio-humano, meio-animal, começou a circular na década de 90 em fóruns online. Começaram por ser apenas espaços para falar de ficção, mas estas pessoas perceberam que se identificavam de forma mais pessoal com o termo.
De acordo com especialistas da área da terapia, estas pessoas acreditam que a sua "manifestação genética", o "fenótipo", não se enquadra com a espécie a que pertencem biologicamente.
"Therian" e "Furries": a diferença
Mas atenção: este termo não é o mesmo que as pessoas que se vestem de animal "por diversão".
Um estudo espanhol da "Furscience" mostra que a maior diferença entre os dois termos é a identificação (ou não) com o animal.
Os "furries" são também um fenómeno, mas com menos identificação pessoal com animais do que os "therian". Se por um lado, os "furries" se vestem como animais, os "therian" identificam-se como eles.
Os "furries" sentem afinidade com personagens animais, geralmente fictícios, e participam num fenómeno cultural lúdico e criativo. Ou seja, o seu interesse pelo animal em questão, não implica necessariamente uma identificação pessoal com ele.
Já os "therian", de acordo com terapeutas, identificam-se com o animal e escolhem-no como parte de quem são. Aqueles que pertencem à comunidade começaram por sentir que lhes faltavam membros, como orelhas e caudas típicas dos animais na sua infância. Até agora, os "therian" só se identificam com mamíferos, sendo os mais comuns cães, gatos e raposas.
A linguagem da comunidade
Os "therian" criaram novos significados para algumas palavras que se tornaram num vocabulário comum da comunidade. "Kintype", por exemplo, refere-se ao animal com que se identificam. Já a palavra "awakening" é o termo usado para o momento em que os membros tomam consciência de que se identificam com algum animal. Além disso, os "therian" têm os próprios debates internos sobre quem pode ou não fazer parte da comunidade.
Qual foi a reação à tendência?
Como todas as tendências, há dois lados da moeda. Por um lado, a visibilidade proporcionada pelo algoritmo permitiu que estas pessoas passassem de "fóruns invisíveis" para encontrar um termo e uma comunidade que compreendesse a sua "linguagem".
Por outro lado, há uma distorção e crítica inevitável. Os vídeos que correm nas redes sociais tendem a diminuir a manifestação destas pessoas a apenas "danças" ou a "fantasias extravagantes".
O fenómeno em Portugal
Portugal não escapa a estas comunidades, que já têm encontros marcados para partilhar experiências. Em Vila Real, por exemplo, irá acontecer um encontro na quinta-feira, dia 26 de fevereiro, às 18h00, em frente ao Café Club, na Avenida Carvalho Araújo para "um momento de união, respeito e partilha entre quem realmente vive o estilo de vida therian", de acordo com a publicação nas redes sociais.
"Traz a tua energia, o teu respeito e o teu verdadeiro eu", pode ler-se, acrescentando que é um "espaço seguro" e de respeito, e não apenas para "curiosos".
"Se te identificas como therian e vives a tua essência com orgulho, este encontro é para ti!", reiteram.