segunda-feira, 17 ago. 2026

Há um erro comum ao fim de semana que engana o corpo e pode levar três dias a corrigir, alerta especialista

Uma especialista portuguesa em medicina do sono explica por que motivo a falta de regularidade nos horários de dormir, de acordar e de comer é um dos maiores inimigos de um descanso de qualidade.
Há um erro comum ao fim de semana que engana o corpo e pode levar três dias a corrigir, alerta especialista

O descanso, sobretudo quando resulta de um sono de qualidade e em quantidade suficiente, é essencial para uma recuperação física e mental adequada. É durante o sono que o cérebro consolida a memória, regula as emoções, repara tecidos musculares e elimina toxinas, entre outras funções vitais para o organismo.

Apesar disso, é frequente adiar-se a hora de deitar durante a semana e tentar recuperar o sono perdido dormindo até mais tarde ao sábado e ao domingo. Segundo a Prof.ª Teresa Paiva, neurologista e maior referência nacional em medicina do sono, essa alternância de horários é precisamente um dos maiores inimigos de um descanso reparador.

Para a especialista, o relógio biológico depende de regras e de rotina para funcionar bem. Em entrevista à Revista Prevenir, a neurologista recomenda deitar antes da meia-noite, adquirir horários fixos para as refeições e apanhar luz solar pela manhã, evitando estar sempre fechado em casa ou no escritório com luz artificial, para ajudar a regular os ritmos circadianos do organismo.

A quebra dessa regularidade, mesmo que pareça inofensiva, tem um custo. Dormir mais horas ao fim de semana pode aliviar temporariamente o cansaço acumulado, mas essa compensação não é suficiente para reverter os efeitos de uma semana inteira de sono insuficiente. O sono irregular, quando se tenta compensar apenas em determinados dias, interfere com o ciclo circadiano, e o organismo pode demorar até três dias a recuperar o equilíbrio alterado, dificultando ainda mais o adormecer e o acordar em horários estáveis nos dias seguintes.

Este desequilíbrio não se limita ao cansaço. Um padrão de sono inconsistente pode aumentar os níveis de stress, afetar a concentração e reduzir o desempenho físico e cognitivo. A privação prolongada de sono está ainda associada a problemas de saúde a longo prazo.

A recomendação de Teresa Paiva vai, por isso, muito além de dormir "o suficiente" um único dia. Manter uma rotina previsível ao longo de toda a semana, incluindo aos fins de semana, é apontado como o fator mais determinante para um sono verdadeiramente reparador.

Em resumo, os conselhos partilhados pela especialista passam por:

  • Deitar antes da meia-noite, sobretudo para quem precisa de acordar cedo

  • Manter horários fixos para as refeições

  • Apanhar luz solar da manhã e evitar estar sempre exposto a luz artificial

  • Manter um horário de sono regular, incluindo aos fins de semana

  • Não confiar em "dormir mais" um único dia para compensar défices de sono acumulados