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Não se trata de fraqueza nem de dúvida sobre o que se pensa ou o que se vai dizer. Muitas vezes, é a melhor forma de agir no meio de um confronto. Enquanto algumas pessoas procuram as palavras mais duras para se "defenderem" ou levantam a voz constantemente para demonstrar mais poder, outro grande grupo prefere manter a calma sem cair em provocações.
Porque motivo algumas pessoas preferem calar-se numa discussão? A psicologia já se debruçou sobre o que está por trás deste comportamento e não tem a ver com falta de interesse. Pelo contrário: o silêncio pode dizer mais do que qualquer palavra, e corresponde a uma estratégia de regulação emocional com vários benefícios.
Há momentos em que o tom de voz começa a subir e a dureza das palavras aumenta. Este cenário não é confortável para ninguém, mas há quem pareça sentir-se à vontade a discutir, enquanto outros optam pelo silêncio. Ao contrário do que possa parecer, essas pessoas não estão a fugir da conversa, mas a aplicar uma estratégia de regulação.
Quando existe uma sensação de ameaça, mesmo que apenas emocional, a amígdala, estrutura cerebral associada à deteção de perigo, ativa-se rapidamente. É o que também se conhece como sequestro emocional, um estado em que se reage em vez de se responder, perdendo-se a capacidade de pensar com clareza. Continuar a falar nesse momento nem sempre ajuda: muitas vezes, as palavras surgem da defesa e não da reflexão, o que pode agravar a discussão em vez de a resolver.
Este fenómeno é estudado há décadas por investigadores da área das relações. O Gottman Institute, referência internacional em investigação sobre casais e conflitos, indica que o corpo pode precisar de pelo menos 20 minutos, mas não mais de 24 horas, separado da discussão para recuperar do estado de ativação fisiológica antes de retomar a conversa.
Silêncio saudável ou silêncio de castigo?
Calar-se quando aquilo que se vai dizer pode magoar o outro é preferível a continuar a discutir e a atirar frases de que depois nos podemos arrepender. Mas há uma diferença importante entre um silêncio saudável e um silêncio que pune.
A diferença está na intenção, na duração e na forma como é comunicado. O silêncio regulador procura recuperar a calma para se poder falar melhor depois. A pessoa não desaparece emocionalmente nem deixa o outro na incerteza. Costuma comunicar algo como "preciso de alguns minutos para me acalmar e depois continuamos", o que transmite segurança.
Este tipo de silêncio saudável também não é evitamento nem cobardia. Durante muito tempo associou-se o silêncio à retirada emocional, como se calar-se significasse não ter argumentos, não saber defender-se ou não querer envolver-se. Mas a psicologia atual distingue claramente entre diferentes tipos de silêncio: uma pausa consciente feita quando se percebe que o sistema nervoso está demasiado ativado para dialogar bem é bastante diferente de fugir ao diálogo.
Quando o silêncio pode ser um problema
Há, no entanto, situações em que o silêncio deixa de ser uma ferramenta útil. Quando calar-se se torna a forma habitual de uma pessoa se relacionar, o problema deixa de ser regulação e passa a ser desconexão emocional. A inibição emocional sustentada tem sido associada a maior stress fisiológico, mais ansiedade e pior qualidade relacional.
Em resumo, o silêncio funciona de forma diferente consoante o contexto:
Se for usado como uma pausa consciente, ajuda a organizar ideias e a voltar à conversa a partir de outro lugar
Se se transformar numa forma constante de evitar o diálogo, pode gerar distância e frustração numa relação ou em qualquer outra situação de grupo
A comunicação da pausa (dizer que se precisa de tempo, em vez de simplesmente desaparecer) é o que distingue um silêncio saudável de um silêncio que pune