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Nem todas as pessoas se sentem confortáveis com o contacto físico e isso raramente tem a ver com falta de carinho pelo outro. De acordo com especialistas em psicologia, a resistência aos abraços pode resultar de vários fatores, desde a forma como a pessoa foi criada até características mais profundas da sua personalidade e sensibilidade sensorial.
A infância determina a relação com o toque
Suzanne Degges-White, professora na Northern Illinois University especializada em aconselhamento psicológico, explica no blogue que assina na Psychology Today que a forma como cada pessoa lida com o toque físico está intimamente ligada às experiências vividas na infância. Quem cresceu numa família pouco demonstrativa fisicamente tende a replicar esse padrão na idade adulta, sentindo desconforto perante gestos de maior proximidade. O inverso também acontece: algumas pessoas que cresceram com pouco contacto físico desenvolvem, mais tarde, uma necessidade acentuada de toque.
Estilo de vinculação evitante
Outro fator frequentemente associado à recusa de abraços é o chamado estilo de vinculação evitante. Pessoas com este perfil tendem a valorizar a independência e o controlo sobre o seu espaço pessoal, sentindo-se pouco à vontade perante demonstrações de proximidade física ou emocional mais intensas. Nestes casos, evitar um abraço não significa rejeitar quem o oferece, mas sim uma forma de autorregulação perante o que é percecionado como uma invasão do espaço pessoal.
Sensibilidade ao toque e experiências passadas
Há ainda quem associe o desconforto com abraços a uma maior sensibilidade sensorial, sentindo o contacto físico como algo intenso ou mesmo desagradável. Noutros casos, esta reação pode estar relacionada com experiências anteriores em que os limites pessoais não foram respeitados, fazendo com que o toque seja percecionado como um sinal de alerta e não de conforto.
Entre as razões mais comuns para o desconforto com o contacto físico contam se:
Uma infância com pouca demonstração física de afeto
Um estilo de vinculação que privilegia a independência e o controlo do espaço pessoal
Maior sensibilidade sensorial ao toque
Experiências passadas em que os limites pessoais foram ultrapassados
Níveis mais elevados de ansiedade social, que tornam o contacto físico mais expectante e desconfortável
Um sinal para respeitar, não para forçar
Apesar dos benefícios comprovados do contacto físico na redução do stress, os especialistas são unânimes num ponto: os limites individuais devem ser respeitados. Forçar um abraço a quem não se sente confortável com ele pode ser contraproducente e prejudicar, em vez de fortalecer, a relação entre as duas pessoas.