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É cada vez mais comum optar por carros com mudanças automáticas: seja pela facilidade de condução ou pela comodidade que apresentam. No entanto, nem sempre o facilitismo é o melhor caminho para a saúde - e a forma como conduz o seu carro pode mesmo afetá-lo.
De acordo com um estudo do Instituto de Desenvolvimento, Envelhecimento e Cancro da universidade de Tohoku, há uma área do cérebro - o córtex pré-frontal - que é ativada pelo ato de colocar as mudanças, permanecendo adormecida caso a condução apenas exija acelerar e travar.
Ryuta Kawashima, neurocientista e professor universitário japonês, responsável pelo estudo, concluiu que a condução manual funciona como um "exercício de coordenação, gestão e estratégia que estimula o cérebro". Kawashima dedica-se a estudar o "treino para o cérebro", já tendo criado a base para a série de videojogos Brain Age, que funciona como uma forma de estimular o cérebro e combater a demência.
No caso da condução, o estudo aponta a necessidade de condutor de lidar com o pedal da embraiagem, com o manuseamento da alavanca das mudanças e com a regulação do acelerador como essencial para a estimulação do raciocínio.
Neste caso, a condução manual mostra-se mais eficaz a combater a demência.
Em Portugal, esta não é uma boa notícia: a maioria dos veículos novos vendidos são de condução automática, contando com veículos elétricos. Carros com caixa de velocidades constituem apenas cerca de 30 a 35% do total de vendas.
Embora os veículos com pedal de embraiagem ainda representem entre 70% e 80% da frota em circulação, a equipa japonesa alerta para o rápido desaparecimento das caixas manuais. Segundo os investigadores, a crescente adoção de caixas automáticas poderá contribuir para uma perda mais acelerada de determinadas capacidades cognitivas dos condutores, aumentando o risco de demência.