sexta-feira, 15 mai. 2026

Pesticidas. Estes são os alimentos frescos que mais preocupam cientistas em 2026 (provavelmente tem alguns em casa)

Um relatório identificou 264 pesticidas em dezenas de frutas e legumes que chegam habitualmente às mesas portuguesas. Os resultados levantam questões sérias sobre o que consumimos todos os dias. Saiba onde está o maior perigo.
Pesticidas. Estes são os alimentos frescos que mais preocupam cientistas em 2026 (provavelmente tem alguns em casa)

Espinafres, morangos e uvas aparecem no topo do ranking de frutas e legumes com maior carga de resíduos de pesticidas potencialmente nocivos, segundo o Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos de 2026, divulgado pelo Environmental Working Group (EWG).

O relatório, elaborado com base nos mais recentes testes de resíduos conduzidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, analisou 54.344 amostras de 47 tipos de frutas e legumes. Antes de cada análise laboratorial, as amostras foram descascadas, esfregadas e lavadas para simular os hábitos domésticos habituais. Ainda assim, foram detetados vestígios de 264 pesticidas distintos.

Os "Doze Sujos" de 2026

A lista, conhecida como os "Doze Sujos", identifica os produtos com maior concentração de resíduos. O espinafre surge no topo: apresentou mais resíduos por peso do que qualquer outro alimento testado e continha, em média, quatro ou mais tipos diferentes de pesticidas.

Integram ainda o ranking os morangos, as uvas, as nectarinas, os pêssegos, as cerejas, as maçãs, as amoras, as peras, as batatas e os mirtilos. Na generalidade dos casos, as amostras revelaram a presença de quatro ou mais pesticidas distintos. A excepção foram as batatas, com uma média de dois.

"Químicos eternos" detetados nos alimentos

Entre as substâncias identificadas encontram-se os PFAS, compostos per e polifluoroalquilados vulgarmente designados como "químicos eternos" por não se degradarem no ambiente nem no organismo humano. A sua presença nos alimentos frescos analisados representa um dos alertas mais preocupantes do relatório.

Riscos acumulados ao longo do tempo

A comunidade científica associa há muito a exposição regular a pesticidas a consequências para a saúde. Estudos anteriores estabeleceram ligações com partos prematuros, malformações congénitas, abortos espontâneos e danos genéticos. Há também evidências de associação com a redução da concentração de espermatozoides, doenças cardiovasculares e algumas formas de cancro.

A Academia Americana de Pediatria sublinha que as crianças são especialmente vulneráveis a contaminantes como os pesticidas, inclusive durante a gestação. A exposição pré-natal tem sido associada a defeitos congénitos, baixo peso ao nascer e morte fetal, enquanto na infância pode manifestar-se em dificuldades de atenção, problemas de aprendizagem e maior risco de cancro.

Os especialistas alertam ainda para o potencial efeito cumulativo da exposição simultânea a vários pesticidas: mesmo que cada resíduo se encontre individualmente abaixo dos limites legais, a combinação de múltiplas substâncias pode representar um risco acrescido para a saúde a longo prazo.