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José Manuel Felices, médico e divulgador científico espanhol, publicou no TikTok uma explicação que muitos consideraram contraintuitiva. A questão de partida era simples: entre a cerveja e a água, qual é a bebida mais saudável?
A resposta histórica que ninguém esperava
"Entre a cerveja e a água há um vencedor claro... e é a cerveja", começa por dizer o profissional de saúde, antes de revelar o raciocínio por detrás da afirmação.
A explicação está no processo de fabrico da bebida e na qualidade da água em séculos passados. Produzir cerveja obriga a ferver a água, elevando a sua temperatura e eliminando grande parte dos microrganismos presentes. Num mundo sem tratamento de águas, como as metropoles da Europa no século XIX, esta diferença era literalmente a linha entre a vida e a morte. As grandes causas de mortalidade associadas à água contaminada eram a cólera e a febre tifoide, que dizimavam populações inteiras através de diarreias severas e desidratação.
O médico colocou o dilema em termos diretos: escolher entre "morrer de cirrose, pancreatite ou cancro do fígado provocados pelo álcool, ou morrer desidratado pela diarreia da cólera ou da febre tifoide". Neste contexto, a cerveja era, paradoxalmente, o mal menor.
O que mudou desde essa época?
A ciência avançou e já não é necessário recorrer ao álcool para ter acesso a água potável. Em Portugal, a qualidade da água para consumo humano é monitorizada pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, com padrões de controlo que colocam o país entre os mais seguros da Europa neste domínio. A imperial de hoje é, portanto, um luxo que os nossos antepassados nunca chegaram a conhecer nestes moldes.
Portugal e a cerveja: os números de uma relação próxima
Os portugueses mantêm uma relação próxima com a cerveja. Segundo dados da Associação Portuguesa de Produtores de Cerveja, o mercado nacional consome cerca de seis milhões de hectolitros por ano, o que representa uma média de aproximadamente 59 litros por habitante, um dos valores mais elevados da Europa do Sul. A Super Bock e a Sagres dominam o mercado há décadas, mas o segmento das cervejas artesanais tem crescido de forma consistente no país.
Sabia que a cerveja tem mais de 5.000 anos de história?
Os registos mais antigos do consumo de cerveja remontam à Mesopotâmia, há mais de cinco mil anos. Foi Louis Pasteur, no século XIX, precisamente o período em que a cerveja "salvava vidas" nas cidades industriais europeias, quem estudou e sistematizou o processo de fermentação. Uma cerveja com 5% de teor alcoólico tem, em média, entre 150 e 200 calorias por 330 ml. Já a produção nacional de cerveja é responsável, segundo a APCV, por cerca de 30.000 postos de trabalho directos e indirectos em toda a cadeia de valor, da agricultura à distribuição.