Este domingo,18 de janeiro, comemora-se o dia Internacional do Riso. Por uma curiosa coincidência do calendário, ou talvez uma dessas ironias que só a democracia permite, é também dia de eleições presidenciais em Portugal.
Não se trata de confundir o que exige responsabilidade com o que é suposto ser leve. O voto é um ato de responsabilidade. O riso é um ato de sanidade. E uma democracia precisa dos dois.
Num mundo marcado por ansiedade constante, pela sobrecarga de informação e por dias onde há bastante tensão social, o riso deixou de ser apenas espontâneo e torna-se muitas vezes um gesto consciente. E talvez seja por isso que o riso tenha sobrevivido como remédio, não para curar o que nos inquieta, mas para nos dar forças quando atravessamos o que não controlamos.
Os portugueses sempre souberam. Basta lembrar o velho ditado: Rir é o melhor remédio. Porque, de facto, há dias que é mesmo o melhor remédio.
Do ponto de vista científico, o riso é o principal motor de reações físicas, psicológicas e neurológicas do nosso corpo. Rir é uma terapia natural que tem um impacto profundo e comprovado no stress, no coração e nas relações humanas.
No stress, o riso funciona como um regulador natural. Ao rir, o organismo reduz a produção de hormonas associadas ao stress, como o cortisol e a adrenalina, e aumenta a libertação de endorfinas que são responsáveis pela sensação de bem-estar. Além disso, o riso promove relaxamento muscular, fortalece o sistema imunológico com mais células de defesa e ajuda a quebrar ciclos de tensão e ansiedade, mesmo quando a situação externa não muda.
No coração, tem efeitos semelhantes a uma atividade física moderada. Melhora a circulação sanguínea e contribui para a diminuição de pressão arterial.
Já nas relações, o riso é um poderoso fator de ligação. Cria proximidade, confiança e empatia, facilita a comunicação e evita conflitos.
Este dia foi criado por Madan Kataria, um médico indiano e fundador do movimento Yoga do Riso, em 1998, e tem como objetivo alertar para a importância do ato de rir.
Mas afinal, onde “nasce” o riso?
Segundo o psiquiatra e professor jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), Mário Simões, a zona cerebral onde o riso tem origem é no lobo frontal, na terceira circunvolução. Na mesma zona onde se localiza a fala- a voz, é também a secção motora associada aos movimentos que fazemos em momentos de riso e gargalhada.
E quantas vezes por dia devemos rir?
Há um provérbio chinês que afirma que “um dia sem rir, é um dia em que a doença se aproxima.” Um artigo da National Geographic Brasil refere que um estudo citado pela Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA comprova que os adultos riem em média 15 a 20 vezes por dia, muito menos que as crianças que chegam a rir centenas de vezes ao dia.
Vivemos sob uma cultura de desempenho constante, onde nos exigem produtividade, eficiência e seriedade contínua. Rir, nesse contexto, parece pouco profissional, talvez até improdutivo. E por isso torna-se um gesto de oposição a esta lógica.
Além disso, o nosso dia-a-dia está marcado por crises sucessivas, sejam familiares, sociais ou económicas, que nos faz estar num estado permanente de alerta e ansiedade.
Por isso, rir é um ato de resistência. Um ato de resistência ao stress permanente, ao medo, ao poder.
De acordo com o psiquiatra Mário Simões, estudos realizados no Ocidente na última década demonstram que devemos rir três vezes por dia com a duração de um minuto, pelo menos.
E esta receita não precisa de ir buscar à farmácia. Três minutos de riso é o que a ciência lhe prescreve.
Recorde-se de alguns provérbios:
-Quem ri por último, ri melhor.
-Muito riso, pouso siso.
-Rir para não chorar.
-Rir é o melhor remédio.
-Partir o côco a rir.
-Fazer rir, é fazer esquecer.
Aproveite para rir neste domingo, porque é já amanhã que enfrentamos o dia mais triste do ano. Por isso, não se deixe afetar pela Blue Monday.
[texto editado por Joana Ludovice de Andrade]