segunda-feira, 09 mar. 2026

Ceratopigmentação: a tendência que promete mudar a cor dos olhos... e que pode custar-lhe a visão

Especialistas avisam: a mudança pode ser definitiva, mas as consequências também. A intervenção continua a não ser recomendada se os motivos forem estéticos.
Ceratopigmentação: a tendência que promete mudar a cor dos olhos... e que pode custar-lhe a visão

Há tendências que vão e voltam, umas que ficam e outras que mais ninguém se lembra. Mas esta, para quem a seguiu, ficou bem marcada.

O procedimento em causa é conhecido como ceratopigmentação. Inicialmente pensado para fins terapêuticos, como em pessoas com cicatrizes na córnea, ou que sofrem de aniridia (quando a íris não se formou corretamente), hoje é usada para quem não se identifica com a cor dos olhos biológica. A tendência mais verificada é a mudança de castanho para azul ou verde.

Como funciona o procedimento?

Apesar de a parte colorida do olho ser a íris, o procedimento mexe com a córnea do olho humano, ou seja, a camada transparente que protege a frente do globo ocular. Isso quer dizer que a cirurgia não muda a cor do olho em si, mas pigmenta a estrutura externa o que dá uma a ideia de uma mudança aparente.

A ceratopigmentação pode ser realizada de duas formas diferentes, ambas com anestesia local.

Se for realizada com microagulhas, o cirurgião faz pequenas perfurações na córnea, onde fica o pigmento - semelhante às tatuagens na pele. Esta é a forma mais invasiva e agressiva de realizar a intervenção.

Por outro lado, pode ser feita com laser de femtosegundo, já conhecido por ser usada, por exemplo, em cirurgias de remoção de cataratas. Com o laser, o cirurgião abre um espaço na córnea, e o pigmento espalha-se numa só vez.

Há perigo de cegueira?

A intervenção cirúrgica pode ter vários riscos - e sim, um deles é a cegueira. "Estamos a falar de pessoas com olhos saudáveis, sem qualquer problema ocular, que decidem fazer um procedimento puramente por razões estéticas, e que pode ter enormes implicações a longo prazo para a saúde ocular e a visão, afetando-as pelo resto da vida”, explicou o cirurgião oftalmologista Alex Day ao jornal The Guardian.

Entre outras complicações, os pacientes podem ficar com uma grande sensibilidade à luz e com danos na córnea que podem resultar em infeções graves e derramamento do pigmento para o interior do olho. “Os pacientes que contemplam estes procedimentos apenas por razões estéticas devem ponderar estes riscos sérios em relação ao ganho potencial”, alerta a American Academy of Ophtalmology, que emitiu vários alertas sobre estas técnicas, inclusive sobre uma outra onde fazem "implante de íris".

Há outras opções?

Posto os riscos, os especialistas aconselham quem recorre a estas intervenções para retoques de cor ou alterações totais para usarem apenas lentes de contacto coloridas. No entanto, também estas devem ser prescritas por um profissional de lentes de contacto que tenha examinado o paciente e as suas necessidades e não apenas compradas online.

O alerta mantém-se: “Ninguém deve arriscar a sua visão fazendo uma cirurgia para mudar a cor dos olhos”, diz Alex Day.

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