quinta-feira, 16 abr. 2026

Carolyn Bessette-Kenedy: A mulher que conquistou o coração de Kennedy JR.

Quando entrou para a Calvin Klein como assistente de vendas, Carolyn não fazia ideia que a sua vida iria mudar drasticamente. Além de ter subido na carreira, conheceu aquele que viria a ser o amor da sua vida: o filho do 35º Presidente dos EUA. A relação foi tensa e o final trágico.
Carolyn Bessette-Kenedy: A mulher que conquistou o coração de Kennedy JR.

Na imprensa era descrita como fria e distante, mas, segundo amigos próximos, essa ideia não correspondia à realidade, já que na sua zona de conforto era «calorosa, engraçada, divertida, boémia, mas sempre com os pés bem assentes na terra». A verdade é que a imagem que ficou - apesar de várias polémicas -, é a de uma mulher discreta, elegante, independente, convicta nas suas opiniões e que, ainda hoje, inspira. Era tão reservada que, mesmo depois de se casar com John F. Kennedy Jr. - a 21 de setembro de 1996 -, optou sempre pelo silêncio público: nunca concedeu entrevistas e deixou pouquíssimos registos. Sempre quis estar longe dos holofotes e, muitas vezes, isso foi razão de tensão entre o casal. Afinal, não tinha hipótese, já que se apaixonou por aquele que era, à época, considerado «o homem mais sexy do mundo», pela revista People. E parecia que estava a adivinhar qual seria o preço disso… No dia 16 de julho de 1999, com apenas 33 anos, Carolyn Bessette-Kennedy morreu num acidente de avião ao lado do marido, de 38, e de Lauren Bessette. O filho do 35º presidente do EUA - que pilotava a aeronave -, a relações públicas da Calvin Klein, bem como a sua irmã despenharam-se ao largo da costa da ilha, devido ao que se acredita ter sido um erro na aterragem. O avião foi encontrado na água, a cerca de 11 quilómetros de Martha’s Vineyard.

A sua história viu-se agora retratada em Love Storyr: John F. Kennedy Jr. and Carolyn Bessette, uma série criada por Connor Hines e produzida por Ryan Murphy para a FX que também está disponível no Disney+. A produção inspira-se no livro Once Upon a Time: The Captivating Life of Carolyn Bessette Kennedy e revisita uma das relações mais mediáticas e trágicas da década de 1990, permitindo-nos ficar a conhecer melhor os sentimentos de Carolyn. Porque até hoje, paira o mistério sobre quem realmente era.

Carismática e inteligente

Nasceu no dia 7 de janeiro de 1966, em Nova Iorque, no seio de uma família de classe média. O seu pai, William Bessette, era engenheiro civil e marceneiro, e Ann Messina, a mãe, era professora e administradora numa escola pública. O casal acabou por se divorciar quando Carolyn ainda era pequena e a mãe voltou a casar com Richard Freeman, um cirurgião ortopédico, acabando por se mudar com as filhas para Greenwich, Connecticut.

Segundo a Forbes, a jovem sempre foi bastante popular. No secundário, por exemplo, foi eleita «Ultimate Beautiful Person». Quem a conheceu nessa altura descrevia-a como carismática, atenta, inteligente, generosa, mas muito distante emocionalmente. Escolheu pedagogia na Universidade de Boston (BU) e, depois de terminar os estudos, tentou uma carreira de modelo, chegando a ser capa do calendário The Girls of BU.

Apesar de ter estudado educação, começou a trabalhar como vendedora numa loja da Calvin Klein, perto do campus da universidade, no shopping Chestnut Hill, e apaixonou-se pela área. De acordo com a série da Disney+, não foi preciso muito até perceberem que esta seria uma mais valia na empresa. Carolyn tinha bom gosto e destacava-se pelo seu profissionalismo e discrição. Rapidamente foi promovida e transferida para a sede da empresa em Nova Iorque e lá passou a trabalhar no departamento de relações públicas, construindo uma relação de confiança com o criador da marca. A jovem era responsável por atender clientes, ajudar com styling e começou a acompanhá-lo em eventos.

Por outro lado, John F. Kennedy Jr. era tudo menos discreto, tanto pelo nome que carregava, como pela forma como vivia na altura. Era uma das figuras públicas mais perseguidas pelos paparazzis e, mesmo assim, não deixava de manter uma rotina «mais ou menos normal». Andava de bicicleta pelas ruas de Nova Iorque, corria no Central Park em tronco nu, ia a restaurantes «comuns» e vestia-se casualmente. O seu estilo, que marcou a época, combinava uma herança clássica americana com um toque urbano nova-iorquino. Calções, T-shirts, bonés… Mas a verdade é que, apesar da fama, do dinheiro e do nome, o «príncipe americano», tal como era chamado na altura, não sabia quem era. Reprovou duas vezes no exame da ordem dos advogados antes de finalmente passar em 1990. Na série, é possível perceber o quanto isso o afetou, já que a imprensa americana fez disso manchete. A dada altura, John sentia-se um fracasso. Apesar de ter chegado a trabalhar como procurador assistente, não era feliz. Anos depois, tornou-se jornalista, tendo criado a revista George que misturava política e cultura pop com o objetivo de «tornar a política mais interessante para o público jovem».

 

Uma história de amor tensa

Na produção, Carolyn e John são apresentados por Calvin Klein numa festa no início dos anos 90. No entanto, pessoas próximas ao casal, já afirmam que o encontro ocorreu quando o filho do ex-presidente dos EUA foi a uma loja da marca experimentar roupas, em 1992, acabando por ser atendido por Bessette. Uma coisa é certa: a química foi imediata. Porém, a jovem fez-se difícil durante algum tempo, até porque John mantinha uma relação «intermitente» com a atriz Daryl Hannah, que sempre foi rejeitada pela família. Em 2014, um amigo próximo contou que Bessette não acreditava que Kennedy Jr. fosse «sério». Este chegou a ir várias vezes onde a jovem trabalhava, tentando conquistá-la e levá-la a um encontro. Acabou por conseguir e os dois começaram uma amizade.

Foi apenas em 1994, quando a mãe do jornalista morreu que a relação amorosa passou a existir. Mesmo assim, Carolyn sempre mostrou muitas reticências, já que não sabia se era capaz de lidar com todo o aparato mediático.

Segundo o que é retratado na série, Carolyn não deixava de dizer aquilo que pensava, mantinha a sua independência e não se curvava ao status do companheiro. Quando foi pedida em casamento, respondeu que tinha de pensar como é que os dois iriam «encaixar as suas vidas», o que deixou John desolado.

A relação tinha a fama de ser «tensa». No dia a dia, os paparazzis começaram também a perseguir Bessette esperando-a à porta do prédio e seguindo o casal nos seus passeios. De acordo com o Times, uma foto dos dois podia valer mais de mil dólares. Em 1996, chegaram a ser fotografados a ter uma discussão em plena luz do dia no Central Park. Apesar do «vai e vém», o casal acabou por se casar em 1996 numa ilha na Geórgia.

No livro Once Upon a Time: The Captivating Life of Carolyn Bessette Kennedy, a autora Elizabeth Beller explica que havia apenas cerca de 40 convidados na cerimónia, já que os noivos queriam manter a lista pequena.

Em 2019, o canal TLC exibiu imagens inéditas num especial intitulado JFK Jr. and Carolyn’s Wedding: The Lost Tapes season. Na produção, Billy Noonan, amigo próximo de Kennedy, revelou: «Sabíamos que haveria um casamento, mas não sabíamos quando nem onde. Era quase como se eles estivessem a fugir para se casar». Noonan filmou a festa com uma câmara portátil que o próprio noivo lhe tinha dado. «De certa forma, tornou-se um talismã, documentando esses marcos na vida dos nossos amigos. A dada altura ele pediu-me a fita», continuou. «Foi tudo improvisado, com luz e sombra. O áudio não está bom. Mas isso tem a ver com a essência do fim de semana: nada foi planeado». Segundo o Today, apesar de todos os esforços para manter o casamento em privado, o dia especial do casal quase foi arruinado por helicópteros que sobrevoavam o local. Ao avistarem-nos, os hóspedes esconderam-se.

 

Uma inspiração na moda

Para a cerimónia, a noiva escolheu um vestido branco de linhas direitas, minimalista, assinado por Narciso Rodriguez, seu amigo. De acordo com o mesmo documentário, o vestido era icónico, «completamente diferente de qualquer outro vestido de noiva que se via nos anos 90». E, mais de 25 anos depois da morte de Carolyn, o modelo continua a fazer furor. Aliás, Bessette ficou também conhecida pela forma como se vestia. Ainda hoje é vista como uma das maiores referências de estilo da história contemporânea. Os especialistas falam da sua abordagem moderna, urbana e autêntica. Optava quase sempre pelo preto total, ou preto e branco, usava pouca maquilhagem e acessórios bastante simples. Entre as suas marcas e designers preferidos estavam Prada, Yohji Yamamoto, Ann Demeulemeester e Comme des Garçons.

Love Storyr: John F. Kennedy Jr. and Carolyn Bessette é protagonizada por Sarah Pidgeon, como Carolyn, e Paul Anthony Kelly, como JFK Jr., e já começou a gerar polémica. Jack Schlossberg, sobrinho de John, acusou o produtor, Ryan Murphy, de «explorar a memória do tio sem consultar os familiares» e defendeu que, a maior parte dos lucros deveria reverter para a Biblioteca Presidencial Kennedy. «Ele não sabe de nada do que está a falar», começou por dizer numa entrevista ao CBS Sunday Morning. «Ele não sabe nada do que está a falar e está a ganhar uma fortuna com uma exibição ridícula da vida de outra pessoa (...). Se quiserem conhecer e falar com alguém que nunca conheceu ninguém da minha família e não sabe nada sobre nós, falem com Ryan Murphy», exaltou. «Espero que o Sr. Murphy doe alguns dos milhões de dólares de lucros que está a ganhar para algumas das causas que John defendeu ao longo da vida. Ou talvez ele doe algum desse dinheiro à biblioteca JFK para ajudar a manter viva a sua memória. Não acredito que o faça», acrescentou o familiar.

O casal morreu de uma forma trágica em 16 de julho de 1999. Nas semanas que se seguiram, o National Transportation Safety Board investigou o acidente, tendo determinado como causas prováveis da queda «a falha do piloto em manter o controlo do avião durante uma descida sobre a água à noite, o que foi resultado de desorientação espacial. Os fatores do acidente foram a neblina e a noite escura». Bessette, que nunca concedeu uma entrevista, permanece uma figura enigmática, por vezes comparada à princesa Diana.