Canhotos têm vantagem na competição. A ciência explica porquê

Um em cada dez humanos é canhoto. Sempre foi assim. Um novo estudo italiano pode finalmente explicar por quê esta minoria persiste há milénios
Canhotos têm vantagem na competição. A ciência explica porquê

A proporção é estranhamente estável: cerca de dez por cento da população mundial é canhota. Foi assim há cinco mil anos, é assim hoje. Não é acaso. É evolução a trabalhar em silêncio.

Uma investigação recente conduzida por cientistas da Universidade de Chieti-Pescara, em Itália, e publicada na revista Scientific Reports, oferece uma explicação convincente para este equilíbrio. A tese central: os canhotos sobrevivem como minoria porque, em determinados contextos, isso é precisamente a sua força.

A raridade como arma

Quando quase toda a gente é destra, os canhotos tornam-se imprevisíveis. Os seus movimentos, estratégias e padrões de ataque (físicos ou figurados) não estão calibrados na memória dos adversários. É uma vantagem silenciosa, que os investigadores enquadram no conceito de "estratégia evolutivamente estável", retirado da teoria dos jogos aplicada à biologia.

A ideia não é nova, mas este estudo vai mais longe: testa-a empiricamente, em laboratório e através de questionários.

O que dizem os dados

Os investigadores conduziram dois estudos distintos. No primeiro, mais de 1100 participantes responderam a questionários sobre lateralidade (a preferência por uma mão) e sobre diferentes dimensões da competitividade. Os resultados foram claros: quem tinha maior tendência para a mão esquerda revelava também maior orientação para objetivos pessoais e menor tendência para evitar situações competitivas. Por outras palavras, os canhotos fogem menos à luta.

Numa segundo experimento, com 48 participantes, os investigadores avaliaram a destreza manual com testes de laboratório. Aqui não emergiram diferenças motoras relevantes entre os dois grupos, o que sugere que a ligação entre ser canhoto e ser mais competitivo não passa pelas mãos, mas pela mente.

Cooperação vs. competição: o equilíbrio perfeito

Os autores propõem que a sociedade humana funciona com base numa divisão implícita: a maioria destra favorece a cooperação e as dinâmicas sociais coletivas, enquanto a minoria canhota, sobretudo os homens, tende a destacar-se em situações de confronto direto.

Este equilíbrio não seria acidental. Seria o resultado de milhares de anos de seleção natural a ajustar, com precisão, a proporção ideal entre os dois perfis.

Dez por cento. Nem mais, nem menos.